
O mercado livre de energia elétrica no Nordeste apresentou um crescimento significativo em 2025, com a adição de 3.500 consumidores, correspondendo a 16,1% dos 21.700 novos participantes registrados no Brasil entre janeiro e novembro, conforme dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). A região consolidou-se como a terceira maior em expansão territorial, superando Centro-Oeste e Norte, e ficando atrás apenas do Sudeste e Sul, que juntos somaram 14.700 novas migrações. Essa movimentação evidencia a ampliação do mercado livre para além dos grandes centros urbanos, alcançando uma capilaridade cada vez maior no Nordeste.
O crescimento no Nordeste foi distribuído entre os oito estados da região, sendo a Bahia e o Ceará os que mais se destacaram, com 837 migrações cada. Pernambuco seguiu com 547 consumidores migrados para o mercado livre, enquanto Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Sergipe e Alagoas também apresentaram números expressivos, totalizando a participação nordestina. Estes consumidores são classificados em média tensão, tendo concluído seus processos de migração junto às distribuidoras ao longo dos onze meses do ano. Atualmente, o Brasil conta com 85 mil participantes no mercado livre, responsáveis por 43% de toda a eletricidade consumida no país, demonstrando a relevância crescente dessa modalidade.
Nos segmentos que mais migraram para o mercado livre nacionalmente, serviços lideraram, com 6.400 novos consumidores, seguidos pelo comércio, que somou 3.900. Estes setores são conhecidos pela maior flexibilidade operacional, o que justifica sua expressiva participação na expansão do mercado livre. O modelo disponibiliza aos participantes autonomia para escolher seus fornecedores, competitividade nos preços e livre acesso a fontes renováveis. Em novembro, o volume de solicitações para migração atingiu 1.500, o maior mensal do ano, refletindo um aumento da demanda especialmente nos últimos meses de 2025.
O marco regulatório vigente, por meio da Lei nº 15.269 de 2025, prevê uma abertura progressiva do mercado livre de energia, estabelecendo prazos para que consumidores industriais e comerciais de baixa tensão possam acessar o ambiente livre até novembro de 2027, e consumidores residenciais até novembro de 2028. Essa abertura respeita protocolos rigorosos de segurança energética e responsabilidade fiscal, condicionando a migração à capacidade técnica das distribuidoras para suportar novas conexões. Atualmente, a contratação livre é restrita a consumidores conectados em alta tensão, totalizando 85 mil participantes no mercado ao longo de 2025.
A dinâmica nacional do mercado livre indica uma expansão dispersa, mas concentrada em regiões com maior desenvolvimento econômico e estrutura consolidada de transmissão. O Nordeste, com suas 3.500 migrações, reafirma seu papel como polo emergente no setor, ampliando a capilaridade do modelo de contratação livre fora dos grandes centros. Os dados consolidados pela CCEE refletem o avanço e consolidação deste segmento no cenário energético brasileiro, fortalecendo um ambiente que já reúne 85 mil consumidores habilitados.