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Nordeste deve crescer 2,3% em 2026 acima da média brasileira
24 de fevereiro de 2026 / 08:32
Foto: Divulgação

O Nordeste deverá manter um ritmo de crescimento econômico acima da média nacional em 2026, mesmo em um contexto de desaceleração da atividade no Brasil. De acordo com levantamento da Tendências Consultoria, o Produto Interno Bruto (PIB) da região deve avançar 2,3% no próximo ano, superando a projeção de 1,6% para o país como um todo. A estimativa considera a perda de fôlego da economia brasileira após um desempenho mais robusto em 2025, influenciado por fatores como política monetária restritiva e cenário internacional mais incerto.

Ainda assim, o Nordeste aparece entre as regiões com melhor desempenho previsto, ao lado do Norte e do Centro-Oeste. O resultado reflete uma combinação de fatores estruturais e conjunturais que vêm sustentando a atividade econômica regional nos últimos anos. Segundo a economista Camila Saito, responsável pelo estudo, o crescimento nordestino será impulsionado principalmente pela resiliência do mercado de trabalho e pelo dinamismo do setor de serviços, segmento que responde por parcela significativa da economia regional.

O setor de serviços tende a se beneficiar do aumento da renda disponível das famílias, favorecido pela manutenção de programas sociais e por mudanças no Imposto de Renda, que ampliam o poder de compra de parte da população. Como o consumo das famílias possui peso elevado na composição do PIB regional, qualquer estímulo à renda tem efeito multiplicador relevante, sustentando comércio, turismo, transporte e atividades ligadas à economia local.

Na indústria, a expectativa é de desempenho superior ao registrado no ano anterior. Em 2025, o setor foi impactado por paralisações para manutenção em campos petrolíferos e pela redução da produção no Rio Grande do Norte, fatores que limitaram a expansão industrial. Para 2026, a normalização dessas atividades deve contribuir para um resultado mais positivo, especialmente nos segmentos ligados à cadeia de energia e à indústria de transformação.

Já no setor agropecuário, a perspectiva também é favorável, ainda que em ritmo menos intenso do que no período anterior, quando houve crescimento expressivo. A produção de cana-de-açúcar desponta como destaque para 2026, com impacto relevante em estados produtores e na cadeia sucroenergética. Mesmo com oscilações climáticas e de preços internacionais, o agronegócio nordestino deve continuar contribuindo de forma consistente para a formação do PIB regional.

Atualmente, o Nordeste responde por 13,8% do PIB brasileiro, consolidando-se como a terceira região com maior participação na economia nacional. O desempenho projetado para 2026 reforça uma tendência de fortalecimento gradual da região, impulsionada por expansão do consumo interno, maior integração produtiva e crescimento de setores estratégicos.

No contexto estadual, a Paraíba acompanha a tendência de crescimento regional, embora apresente características estruturais distintas dos maiores polos econômicos do Nordeste. A projeção indica avanço de 1,6% em 2026. O desempenho paraibano deverá ser influenciado principalmente pelo setor de serviços, pelo comportamento do mercado de trabalho e pela dinâmica do consumo das famílias, que seguem como motores centrais da economia local.

Além disso, o setor agropecuário e a indústria terão papel decisivo no ritmo de expansão estadual, especialmente em um ambiente de juros ainda elevados, que tende a limitar investimentos e encarecer o crédito. A capacidade de adaptação das empresas locais e a manutenção da demanda interna serão determinantes para sustentar o crescimento.

Em comparação com o cenário nacional, o avanço projetado para o Nordeste coloca estados como a Paraíba em posição relativamente mais favorável do que regiões como o Sudeste, cuja expansão deve ocorrer de forma mais moderada. Essa configuração reforça o protagonismo crescente das regiões Norte e Nordeste no cenário econômico brasileiro, mesmo diante de um ambiente macroeconômico mais desafiador, marcado por desaceleração, incertezas externas e política monetária restritiva.

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