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Nordeste entra 2026 com apenas 24% das rodovias em bom estado
2 de janeiro de 2026 / 09:32
Foto: Divulgação

O Nordeste inicia o ano de 2026 com apenas 24,1% das suas rodovias em condições boas ou ótimas, conforme revela a Pesquisa CNT de Rodovias 2025. Este percentual evidencia as desigualdades estruturais na qualidade da malha viária entre os estados da região, mantendo o Nordeste abaixo da média nacional em termos de infraestrutura rodoviária. A pesquisa avaliou 30.294 quilômetros de rodovias pavimentadas no Nordeste e integra o principal levantamento técnico sobre a infraestrutura viária do país, realizado desde 1995 pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).

No âmbito nacional, o levantamento da CNT indica uma melhora geral da malha rodoviária brasileira, com 37,9% das rodovias, equivalentes a 43.301 quilômetros, classificadas como boas ou ótimas em 2025, ante 33,0% em 2024. Esse avanço de quase cinco pontos percentuais é acompanhado por uma redução dos trechos considerados ruins ou péssimos. Mesmo assim, a região Nordeste permanece cerca de 14 pontos percentuais abaixo da média nacional, refletindo diretamente nos custos logísticos, na eficiência do transporte e na competitividade econômica, especialmente em uma região que depende fortemente do transporte rodoviário para o escoamento da produção, abastecimento urbano e deslocamento de pessoas.

Em comparação com outras regiões, o Nordeste fica atrás do Sudeste e do Sul, que apresentam maiores proporções de rodovias em bom ou ótimo estado, e se aproxima do Norte, demonstrando um padrão regional associado à capacidade histórica menor de investimento e manutenção. Os estados nordestinos exibem desempenhos bastante distintos. Alagoas e Piauí lideram com os maiores percentuais de rodovias em boas condições, 47,2% e 49,8% respectivamente, mesmo com extensão de malha rodoviária diferente, 841 quilômetros em Alagoas e 4.147 quilômetros no Piauí. O Ceará também se destaca ao aliar qualidade relativa elevada (37,4%) a uma malha significativa de 3.773 quilômetros, ficando acima da média regional.

A Bahia, com a maior extensão rodoviária da região (9.302 quilômetros), apresenta 30,4% das vias em bom estado. Já Pernambuco, Sergipe, Rio Grande do Norte, Paraíba e Maranhão aparecem nos últimos lugares, com o Maranhão tendo o pior índice, apenas 10,5% da malha rodoviária em condições boas ou ótimas. A Pesquisa CNT de Rodovias aponta que a disparidade regional é influenciada pela menor presença de concessões de rodovias à iniciativa privada no Nordeste, em comparação com o Sudeste e Sul, pois trechos concedidos tendem a apresentar índices superiores de qualidade em função de contratos que exigem manutenção contínua e padrões mínimos de desempenho.

Essa situação tem impacto direto na economia regional, afetando setores como agroindústria, indústria de transformação e turismo, que dependem do transporte rodoviário. Rodovias em estado regular ou ruim elevam os custos de frete, o desgaste dos veículos e o tempo de viagem, prejudicando a logística e elevando o preço dos produtos. Além disso, a infraestrutura precária aumenta os riscos de acidentes, pressionando os sistemas de saúde e segurança pública.

Embora haja uma melhora gradual no cenário nacional, a evolução no Nordeste é lenta e desigual, com alguns estados avançando pontualmente e outros praticamente estagnados, o que dificulta a convergência com a média brasileira. Para 2026, a redução das desigualdades na malha rodoviária nordestina dependerá de investimentos contínuos em manutenção e ampliação, especialmente nas rodovias sob gestão pública estadual e federal. A CNT destaca que a melhoria no país está associada ao aumento dos investimentos e à expansão das concessões, fatores ainda limitados na região. Sem esse progresso, o Nordeste continuará com baixa participação de rodovias em bom estado, impactando negativamente a logística, a competitividade econômica e a segurança viária regional.

A Pesquisa CNT de Rodovias avalia rodovias federais e estaduais pavimentadas através dos critérios de pavimento, sinalização e geometria da via, consolidando os resultados no indicador “Estado Geral”, que classifica os trechos como ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo. No Nordeste, as rodovias federais, especialmente as concedidas, apresentam desempenho superior, enquanto as estaduais registram maior incidência de trechos degradados, influenciando o resultado negativo da região.

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