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Nordeste mira novo ciclo de crescimento com foco em cidades interioranas
10 de dezembro de 2025 / 14:55
Foto: Divulgação

O economista-chefe do Banco do Nordeste (BNB), Rogério Sobreira, afirma que o Nordeste inicia 2026 com um cenário favorável para negócios, investimentos e expansão do consumo interno, especialmente nas cidades de médio porte, localizadas fora dos grandes centros metropolitanos. A análise foi apresentada durante o debate “Os avanços do Nordeste”, promovido pelo Correio Braziliense, e reforça a visão de que a região vive um novo momento econômico, marcado pela dinamização do mercado de trabalho, elevação da renda e fortalecimento das atividades produtivas.

Segundo Sobreira, a melhora consistente dos indicadores de emprego tem ampliado o poder de compra das famílias nordestinas, estimulando a demanda por comércio, serviços, habitação e bens duráveis. Ele destaca que o Nordeste rompe gradualmente antigos estigmas associados ao atraso econômico e se consolida como um dos principais vetores de crescimento do país. “O Nordeste deixou de ser visto como problema e hoje representa uma solução para o desenvolvimento”, afirmou.

Infraestrutura como eixo de transformação

Parte expressiva da estratégia de expansão econômica regional está ancorada em investimentos robustos em infraestrutura, concebidos para modernizar a logística, ampliar a competitividade e atrair empreendimentos para áreas interioranas.

Entre as iniciativas em andamento ou previstas, destacam-se:

  • Leilão dos sistemas de saneamento do Maranhão, com investimentos estimados em R$ 18,7 bilhões, considerados essenciais para ampliar a qualidade de vida, a saúde pública e a capacidade de desenvolvimento urbano;
  • Ampliação da capacidade portuária na Bahia, com aportes superiores a R$ 1,1 bilhão, fortalecendo operações de importação e exportação;
  • Avanço das obras nas principais ferrovias e corredores logísticos, como a Transnordestina, o Corredor Centro-Atlântico e o Corredor Leste-Oeste, fundamentais para melhorar o escoamento da produção agrícola e industrial e reduzir custos de transporte.

Esses projetos ampliam a malha de integração territorial e impulsionam o comércio local, ao mesmo tempo que criam condições favoráveis para a instalação de indústrias, centros de distribuição e polos de armazenamento fora das capitais. A modernização dos portos — responsáveis pelo fluxo de grãos, insumos e mercadorias — reforça o papel do Nordeste como um elo estratégico no comércio nacional e internacional.

Agronegócio em expansão

Outro motor relevante do crescimento regional é o agronegócio, com destaque para a região do Matopiba — área que reúne porções do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A região tem ganhado protagonismo nacional pela alta produtividade e pela crescente atração de investimentos em tecnologia agrícola.

O Banco do Nordeste projeta aumento na produção de soja, milho, algodão, proteína animal e biocombustíveis, o que deve fortalecer a cadeia produtiva e gerar novos postos de trabalho. Esse avanço impacta diretamente setores complementares, como logística, armazenagem, transporte, distribuição e fornecimento de insumos. A integração entre produção agrícola e infraestrutura de escoamento torna o Nordeste um dos eixos estratégicos do agronegócio brasileiro — e cada vez mais competitivo no cenário global.

Consumo interno e dinamização urbana

Além da força produtiva, o crescimento da formalização do emprego e o aumento da renda elevam o potencial de consumo interno para 2026. Setores como varejo, construção civil, alimentação, turismo, saúde, educação e lazer devem observar maior demanda, acompanhando o avanço do mercado de trabalho.

Nesse contexto, as cidades de médio porte despontam como protagonistas. Com oferta crescente de serviços e estrutura urbana em expansão, esses municípios têm potencial para se consolidar como novos polos regionais de desenvolvimento, atraindo franquias, empresas, comércio diversificado, novos empreendimentos imobiliários e micro e pequenos negócios. Especialistas apontam que a combinação entre urbanização, investimentos infraestruturais e aumento de renda tende a transformar o perfil socioeconômico da população, ampliando oportunidades e favorecendo mobilidade social.

Um ciclo promissor para 2026

Com mão de obra jovem, infraestrutura logística em modernização, portos ampliados, crescimento expressivo do agronegócio e mercado consumidor em ascensão, o Nordeste se apresenta como uma aposta estratégica para investidores, empreendedores e gestores públicos. A expectativa é que, caso os projetos de saneamento, ferrovias, portos, logística e expansão agrícola avancem conforme previsto, a região possa inaugurar um novo ciclo de prosperidade a partir de 2026, com maior equilíbrio territorial e geração de oportunidades nas áreas interioranas.

Para quem busca investir ou desenvolver projetos, o momento é visto como uma janela importante, com oportunidades nos setores de comércio, serviços, logística, agroindústria, indústria leve, turismo e desenvolvimento urbano. O Nordeste, mais uma vez, mostra força para se posicionar como um dos principais motores de crescimento do Brasil nos próximos anos.

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