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Nordeste pode triplicar capacidade de exportação de energia até 2030
5 de janeiro de 2026 / 09:46
Foto: Divulgação

A região Nordeste do Brasil consolida-se, de forma crescente, como um dos principais polos de geração e exportação de energia elétrica do país, especialmente a partir de fontes renováveis. De acordo com o Caderno de Transmissão de Energia Elétrica do Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 (PDE 2035), divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), está prevista uma expansão expressiva da capacidade de exportação de energia da região ao longo da próxima década. A capacidade atual, estimada em 13,5 GW em setembro de 2025, deverá atingir 21 GW até 2030, com perspectiva de alcançar 24 GW a partir de 2033, considerando os empreendimentos já em planejamento ou em fase de estudos.

Esse crescimento posiciona o Nordeste como um vetor estratégico para o atendimento da demanda energética nacional, sobretudo em função de seu elevado potencial eólico e solar. A expansão da infraestrutura de transmissão permitirá o escoamento de grandes volumes de energia limpa para outras regiões do país, em especial para os subsistemas Sudeste e Centro-Oeste, onde se concentra a maior parcela do consumo elétrico brasileiro.

Para viabilizar essa transformação estrutural, o PDE 2035 estima investimentos totais da ordem de R$ 120 bilhões até 2035, destinados à ampliação, modernização e reforço do sistema de transmissão. Esses recursos serão aplicados na construção de novas linhas de transmissão, subestações, além da modernização de equipamentos críticos, com foco no aumento da confiabilidade, da segurança operacional e da eficiência do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Um dos projetos mais relevantes desse conjunto de obras é o Bipolo Nordeste II, que interligará as subestações de Angicos, no Rio Grande do Norte, e Itaporanga 2, na divisa entre São Paulo e Paraná, com investimento estimado em R$ 26,5 bilhões. Esse empreendimento é considerado fundamental para a segurança elétrica do SIN, pois ampliará significativamente a capacidade de intercâmbio entre regiões e facilitará o transporte de grandes blocos de energia renovável produzidos no Nordeste.

O plano também prevê a construção de aproximadamente 5.301 quilômetros de novas linhas de transmissão e a instalação de 24.314 MVA em transformadores, o que representa um acréscimo de 3% na extensão total das linhas e de 5,7% na potência da Rede Básica. Esses números refletem a magnitude do esforço necessário para acompanhar o crescimento acelerado da geração renovável e da demanda por energia no país.

No horizonte de 2030, a carga máxima do SIN está projetada em 129 GW, o que representa um crescimento de 17% em relação a 2025. Já a capacidade instalada total deverá alcançar 269 GW, com participação cada vez maior de fontes renováveis, como usinas eólicas, solares e a geração distribuída, que tem avançado rapidamente em todas as regiões.

Cada estado do Nordeste contará com ações específicas para garantir a adequada absorção da energia gerada. Entre as medidas previstas estão a instalação de compensadores síncronos, a substituição e reforço de transformadores, além do fortalecimento das interligações regionais. O documento cita, por exemplo, obras já licitadas no Maranhão e no Piauí, bem como investimentos estruturantes na Bahia e na Paraíba, estados que concentram grande parte da expansão eólica e solar.

O estudo também chama atenção para um dos principais desafios do setor: o curtailment, ou seja, os cortes na geração de energia eólica e fotovoltaica em momentos de excesso de oferta. Em cenários críticos, especialmente durante o período diurno, esses cortes podem alcançar entre 40 e 50 GW, refletindo limitações operacionais do sistema frente à rápida expansão dessas fontes. Esse contexto reforça a necessidade de políticas públicas, incentivos regulatórios e soluções tecnológicas que promovam o uso mais racional da energia renovável, como o armazenamento, a gestão da demanda e a flexibilização da operação do sistema.

Adicionalmente, o PDE 2035 prevê a ampliação dos limites de intercâmbio de energia entre os subsistemas do SIN, fortalecendo ainda mais a transferência de energia do Nordeste para outras regiões. A interligação Sul–Sudeste/Centro-Oeste será reforçada com novos circuitos em 500 kV, além da implantação do Bipolo Graça Aranha, que conectará o Maranhão a Goiás, elevando a capacidade de transmissão para 5.000 MW.

Em síntese, a expansão da capacidade de exportação de energia elétrica do Nordeste evidencia o papel central que a região desempenhará no futuro energético do Brasil. Com uma matriz cada vez mais limpa e renovável, o Nordeste se consolida como um fornecedor estratégico de energia para o sistema nacional, contribuindo para a segurança energética, a transição energética e o desenvolvimento sustentável do país.

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