
O setor de cinema e produção audiovisual no Brasil recebeu um importante impulso com a assinatura dos Termos de Complementação da Linha de Arranjos Regionais pelo Ministério da Cultura (MinC), na última terça-feira (24), em Recife. Essa iniciativa vai mobilizar mais de R$ 630 milhões em investimentos para a área em todo o país, sendo o Nordeste um dos principais focos dessa articulação e, consequentemente, um protagonista desse processo.
Os Arranjos Regionais representam uma política pública que busca fortalecer o audiovisual nas diversas regiões do Brasil por meio da combinação de recursos do governo federal, estados e municípios. O modelo prevê que os governos locais aportem investimentos, que são complementados pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) do governo federal, potencializando o valor total destinado ao setor. Assim, para cada real investido por estados e municípios, há um acréscimo de recursos federais, ampliando o impacto.
Os recursos serão distribuídos com especial atenção a iniciativas fora dos grandes centros, visando descentralizar a produção audiovisual e promover a diversidade cultural local. O investimento total ultrapassa R$ 630 milhões e envolve parcerias entre o Governo Federal, por meio do MinC e Ancine, estados e prefeituras. As áreas beneficiadas incluem difusão, pesquisa, formação, memória, preservação, cineclubes, além da produção de curtas, longas, animações, conteúdo infantil e jogos eletrônicos, com o objetivo principal de fortalecer o setor audiovisual de forma ampla e descentralizada.
Durante a cerimônia realizada em Recife, autoridades ressaltaram a relevância da medida. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, afirmou que o investimento em cultura é transformador, ativando a economia, gerando empregos e oportunidades e combatendo a violência. Joelma Gonzaga, secretária do Audiovisual, destacou que os Arranjos Regionais permitirão que o audiovisual brasileiro tenha alcance em todo o país, desde o Norte até o Sul. Já a vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause, celebrou o mecanismo como uma política pública concreta para democratizar recursos no setor audiovisual.
Essa retomada da Linha de Arranjos Regionais ocorre após um hiato desde sua última edição em 2018 e vem ajustada para expandir seu alcance. Patrícia Barcelos, diretora da Ancine, reforça que o momento é especial para o audiovisual brasileiro, que está em processo de aproximação renovada com a sociedade. Marcus Alves, presidente do Fórum Nacional de Secretários Municipais de Cultura, ressaltou que essa medida corresponde a um grande sonho do setor produtivo audiovisual.
Um dos aspectos mais valorizados dessa iniciativa é a descentralização dos investimentos, que antes se concentravam nos grandes centros, como Rio de Janeiro e São Paulo. O secretário adjunto de Cultura de Mato Grosso, Jan Moura, salientou que o programa permite que diversas regiões do Brasil ganhem visibilidade. Para locais com pouco histórico de acesso a recursos, como Roraima, a expectativa é que as produções locais sejam fortalecidas. Jonayna Silva, assessora da Secretaria de Cultura de Roraima, enfatizou a dificuldade enfrentada pelos artistas locais e o impacto positivo esperado com esses recursos.
Além disso, o cinema é visto como ferramenta de união e reflexão social. O cineasta pernambucano Gabriel Mascaro, vencedor do prêmio do Júri no Festival de Berlim em 2025 com o filme O Último Azul, participou do evento e apontou o audiovisual como uma forma de combater a polarização social, conectando pessoas e ampliando perspectivas em tempos difíceis.