João Pessoa 28.13 nuvens dispersas Recife 28.02 nuvens dispersas Natal 28.12 nuvens dispersas Maceió 29.69 algumas nuvens Salvador 27.98 nublado Fortaleza 29.07 céu limpo São Luís 30.11 algumas nuvens Teresina 34.84 nuvens dispersas Aracaju 27.97 nuvens dispersas
Nova espécie de dinossauro é descoberta no Maranhão durante obras ferroviárias
2 de março de 2026 / 17:44
Foto: Divulgação

Uma nova espécie de dinossauro foi identificada a partir de fósseis encontrados durante obras de terraplanagem de uma ferrovia em Davinópolis, no Maranhão. A descoberta traz à luz o Dasosaurus tocantinensis, um titanossauriforme que viveu há cerca de 120 milhões de anos, no período Cretáceo.

O estudo que descreve essa espécie inédita no Brasil foi publicado no Journal of Systematic Palaeontology. O animal tinha pescoço longo e podia atingir aproximadamente 20 metros de comprimento. Foram encontrados fragmentos como fêmur, costelas, ossos do braço e da bacia durante as escavações em outubro de 2021 por trabalhadores da obra. Inicialmente, esses fósseis chegaram a ser confundidos com restos de preguiças-gigantes, mas análises posteriores confirmaram que pertencem a um dinossauro muito mais antigo.

De acordo com pesquisadores, o Dasosaurus tocantinensis representa o primeiro titanossauriforme não-titanossauro identificado no Brasil, fato considerado relevante para a paleontologia da América do Sul. Estudos comparativos sugerem que essa linhagem teria se originado na Europa e depois se espalhado pelo norte da África e pelo Nordeste brasileiro. Essa análise filogenética reforça hipóteses sobre conexões faunísticas entre continentes durante o Cretáceo, período no qual as massas terrestres ainda estavam em processo de separação.

Após o resgate dos fósseis, o material foi levado para análise na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará e atualmente faz parte do acervo do Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão.

Essa nova espécie soma-se a uma série de descobertas importantes nas últimas décadas na região Nordeste, área com formações geológicas ricas e ainda pouco exploradas. Exemplos dessa riqueza são a Chapada do Araripe, que abrange Ceará, Pernambuco e Piauí, reconhecida mundialmente como um dos principais sítios fossilíferos, com descrições recentes de novas espécies de pterossauros e dinossauros. Na Bahia, foram encontrados fósseis de titanossauros e sítios com pegadas fossilizadas que ajudam a entender o comportamento dos animais no Cretáceo. No Maranhão e Piauí, as pesquisas também avançam, revelando potencial significativo para novas descobertas.

Esses achados ressaltam o papel do Nordeste como uma das principais fronteiras da paleontologia no Brasil. Além dos avanços científicos, contribuem para projetos acadêmicos, criação e valorização de acervos regionais, promoção do turismo científico e educacional, e o fortalecimento de museus locais. A descoberta do Dasosaurus tocantinensis mostra que importantes revelações podem ocorrer em contextos inesperados, como obras de infraestrutura, indicando que ainda existem vastas áreas com potencial fossilífero para serem exploradas na região.

Dessa forma, com uma biota fóssil diversificada e registros que preenchem importantes lacunas evolutivas, o Nordeste brasileiro se consolida como território estratégico para o estudo da história da vida na Terra.

Copyright © 2025. Direitos Reservados.