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Novo salário mínimo de 2026 passa a valer e terá pagamento atualizado em fevereiro
2 de janeiro de 2026 / 09:38
Foto: Divulgação

O novo salário mínimo de 2026 entrou em vigor no dia 1º de janeiro, com o valor atualizado para R$ 1.621, representando um aumento de R$ 103 em relação aos R$ 1.518 anteriores, o que equivale a um reajuste de 6,79%. O cálculo diário do salário mínimo será de R$ 54,04 e o valor por hora de trabalho será de R$ 7,37. Apesar de o novo salário já estar vigente, o pagamento com o valor atualizado ocorrerá somente a partir de fevereiro de 2026. Os trabalhadores que recebem o salário mínimo ou múltiplos dele, assim como os benefícios vinculados a esse valor, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o seguro-desemprego, terão direito à nova quantia a partir do início de fevereiro.

O reajuste foi determinado com base em indicadores como a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) nos últimos 12 meses até novembro, e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois anos anteriores. Para 2026, foi considerado o índice de inflação de 4,4% até novembro e a alta real de 2,5% do PIB prevista para 2024. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), cerca de 61,9 milhões de brasileiros terão seus rendimentos direta ou indiretamente afetados pela atualização do salário mínimo.

O impacto do reajuste do salário mínimo atinge diretamente aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que recebem o piso nacional. Os benefícios de quem recebe um salário mínimo serão automaticamente reajustados para R$ 1.621 nos pagamentos que começarão no final de janeiro. Já para os beneficiários com rendimentos superiores ao piso, os valores sofrerão correção apenas pela inflação medida pelo INPC de 2025, cujo índice será divulgado em janeiro. Segundo o Dieese, 70,8% dos beneficiários da Previdência Social recebem benefícios vinculados ao salário mínimo. O aumento do piso deve resultar em uma despesa adicional de aproximadamente R$ 39,1 bilhões para a Previdência Social em 2026.

O Benefício de Prestação Continuada (BPC), destinado a idosos acima de 65 anos e pessoas com deficiência em situação de baixa renda, será reajustado automaticamente para R$ 1.621. O critério de renda para acesso ao BPC também será atualizado, exigindo renda familiar mensal por pessoa igual ou inferior a 25% do salário mínimo, que em 2026 corresponde a R$ 405,25.

O abono salarial do PIS/Pasep sofrerá impacto por conta do novo salário mínimo, visto que o valor do benefício é proporcional aos meses trabalhados no ano-base e considera o piso vigente no momento do pagamento. Os pagamentos em 2026 começam em 15 de fevereiro, divididos em sete lotes, com a expectativa de atingir 26,9 milhões de trabalhadores, totalizando R$ 33,5 bilhões. Aqueles que trabalharam o ano completo poderão receber um salário mínimo integral, enquanto quem trabalhou menos meses terá direito ao valor proporcional.

O seguro-desemprego também terá o valor mínimo reajustado para o novo piso nacional, garantindo que nenhuma parcela seja inferior a R$ 1.621 em 2026. O valor máximo dependerá das regras e portarias que serão divulgadas pelo governo posteriormente. Em 2025, as parcelas variaram entre R$ 1.528 e R$ 2.424,11.

Além disso, a atualização do salário mínimo modifica os critérios de renda do Cadastro Único (CadÚnico), usado para acesso a programas sociais como o Bolsa Família, Tarifa Social de Energia e auxílios habitacionais. Com o novo piso, famílias com renda de até meio salário mínimo por pessoa poderão se inscrever, o que equivale a R$ 810,50 em 2026. Apesar da mudança no critério de renda, não há previsão de reajuste nos valores pagos pelo Bolsa Família para o próximo ano.

Os microempreendedores individuais (MEIs) também sentirão o impacto, já que a contribuição mensal ao INSS passa de R$ 75,90 para R$ 81,05, representando 5% do salário mínimo. Para os MEIs caminhoneiros, a contribuição sobe de R$ 182,16 para R$ 202,42, podendo alcançar R$ 207,42 conforme o tipo de carga e destino. Outras contribuições previdenciárias, como salário-família e auxílio-reclusão, terão limites revistos conforme novas portarias do INSS.

O aumento do salário mínimo também amplia a margem para concessão de crédito consignado a aposentados, pensionistas e trabalhadores com desconto em folha, que podem comprometer até 35% do benefício ou salário com parcelas. Com o piso de R$ 1.621, essa margem disponível sobe para R$ 569,45 ante R$ 531,30 anteriormente.

Do ponto de vista econômico, o Dieese estima que o novo salário mínimo injetará cerca de R$ 81,7 bilhões na economia durante 2026, considerando os efeitos sobre renda, consumo e arrecadação. Aproximadamente 29,3 milhões de aposentados e pensionistas, 17,7 milhões de trabalhadores formais, 10,7 milhões de autônomos e 3,9 milhões de empregados domésticos terão o impacto direto do reajuste. No entanto, o aumento no piso nacional representa um custo adicional estimado em R$ 380,5 milhões para os cofres públicos a cada R$ 1 de elevação, o que apresenta o desafio para o governo de equilibrar o aumento da renda com o controle das despesas obrigatórias.

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