
O Rio Grande do Norte registrou um aumento de 18,4% no número de adoções em 2025, em comparação com o ano anterior, de acordo com dados da Coordenadoria Estadual da Infância e da Juventude (CEIJ) do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN). As informações foram extraídas do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), plataforma mantida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Em números absolutos, o estado contabilizou 77 adoções em 2025, frente a 65 em 2024. Com isso, a média mensal passou de 5,41 para 6,41 adoções, indicando uma evolução consistente ao longo do ano.
Segundo o juiz José Dantas de Paiva, coordenador da CEIJ, o crescimento está diretamente ligado a uma série de ações estratégicas adotadas pelo Judiciário potiguar. Entre elas estão a integração com a sociedade civil e a rede de proteção, a realização anual da Semana da Adoção e a oferta de cursos de preparação para pretendentes, com foco nos aspectos psicossociais e jurídicos do processo.
Para 2026, a CEIJ já planeja novas iniciativas, incluindo a realização da XII Semana Estadual da Adoção, encontros supervisionados entre pretendentes e crianças acolhidas, além da formação de novas turmas de capacitação destinadas tanto aos interessados em adotar quanto a magistrados, servidores e equipes técnicas que atuam na área da infância e juventude.
Atualmente, o Rio Grande do Norte possui 243 crianças e adolescentes acolhidos, dos quais 52 estão aptos para adoção e 48 já se encontram em processo. Em relação ao perfil, 57,4% são pardos, 10% brancos, 5,6% pretos e 26,1% não tiveram a cor ou raça informada. Há uma leve predominância do gênero feminino (51,2%).
Apesar do avanço nos números, o TJRN ressalta que desafios persistem, especialmente no que se refere à adoção tardia. Mais de 130 crianças vivem em grupos de irmãos, e mais de 200 acolhidos têm idade superior a dois anos, perfis que ainda enfrentam maior resistência por parte dos pretendentes.
De acordo com o juiz José Dantas de Paiva, aproximar os adotantes de perfis historicamente menos procurados — como crianças mais velhas, grupos de irmãos, adoções interraciais e crianças com deficiência — é uma meta fundamental para ampliar ainda mais o alcance da adoção no estado.
Embora ainda exista certa resistência, o TJRN observa uma abertura gradual da sociedade, indicando avanços na conscientização sobre a importância da adoção responsável e inclusiva. O crescimento registrado em 2025 representa, portanto, um passo importante, mas também reforça a necessidade de políticas contínuas de sensibilização e apoio para garantir o direito à convivência familiar a todas as crianças e adolescentes.