
Nesta terça-feira, dia 6, durante a abertura da CES 2026, em Las Vegas, a Nvidia apresentou uma nova e ambiciosa estratégia para ampliar o alcance da inteligência artificial no mundo físico, marcando mais um passo decisivo na evolução da tecnologia para além do ambiente digital. Em sua apresentação, o CEO Jensen Huang revelou a nova plataforma de chips Vera Rubin e o modelo de raciocínio Alpamayo, soluções desenvolvidas para reduzir drasticamente os custos computacionais e viabilizar aplicações avançadas de IA em setores como veículos autônomos, robótica, indústria e sistemas inteligentes.
A plataforma Vera Rubin, que sucede a arquitetura Blackwell, já está em produção e representa um salto significativo em desempenho e eficiência. Segundo a Nvidia, a nova geração é capaz de reduzir em até 90% o custo de geração de tokens, elemento fundamental para o funcionamento de modelos de inteligência artificial generativa. Essa redução tem impacto direto na viabilidade econômica de aplicações em larga escala, tornando a IA mais acessível e sustentável.
A arquitetura Vera Rubin integra hardware, software e interconexão em uma estrutura unificada composta por seis chips. As GPUs Rubin entregam até 50 petaflops de desempenho em inferência, enquanto as CPUs Vera são projetadas para processamento ágil e coordenação de tarefas complexas. Todo o sistema é conectado pela tecnologia NVLink 6, que permite a operação simultânea de milhares de chips, oferecendo desempenho até cinco vezes superior ao da geração anterior em aplicações como chatbots, assistentes virtuais e serviços intensivos de IA.
Outro destaque da nova plataforma é a eficiência energética, um fator cada vez mais crítico diante do crescimento exponencial dos data centers. A Nvidia afirma que a Vera Rubin possibilita o treinamento de modelos com até dez trilhões de parâmetros em aproximadamente um mês, utilizando significativamente menos chips do que as arquiteturas anteriores, o que reduz custos operacionais e consumo de energia. As primeiras entregas comerciais da nova plataforma estão previstas para o segundo semestre de 2026, com clientes estratégicos como Microsoft, Amazon e Oracle já confirmados.
Paralelamente, a Nvidia apresentou o Alpamayo, um novo modelo de raciocínio desenvolvido especificamente para o que a empresa define como “IA física”. Diferentemente dos modelos voltados apenas para texto ou imagens, o Alpamayo combina visão computacional, linguagem natural e ação, permitindo que sistemas tomem decisões em tempo real em ambientes dinâmicos e imprevisíveis.
Inicialmente, o modelo será aplicado em veículos autônomos, robôs e máquinas industriais, utilizando cadeias de raciocínio avançadas para lidar com situações inesperadas. Um diferencial importante do Alpamayo é a capacidade de registrar, explicar e justificar suas decisões, característica fundamental para auditorias técnicas, segurança operacional e conformidade regulatória, especialmente em setores críticos.
A Nvidia já anunciou parcerias estratégicas para acelerar a adoção dessa tecnologia. Entre elas, destaca-se a colaboração com a Mercedes-Benz, que pretende lançar veículos equipados com IA baseada no Alpamayo ainda em 2026, inicialmente nos Estados Unidos e na Europa. A iniciativa reforça o papel da Nvidia como protagonista no avanço da mobilidade autônoma.
Essa estratégia faz parte de um ecossistema mais amplo, que abrange áreas como saúde, clima, manufatura e infraestrutura inteligente, consolidando a presença da Nvidia em toda a cadeia da inteligência artificial — desde data centers de alta performance até aplicações cotidianas no mundo real.
Com esses anúncios, a Nvidia deixa claro seu plano de integrar profundamente a inteligência artificial ao mundo físico, transformando a maneira como máquinas interagem com o ambiente, tomam decisões e auxiliam pessoas e empresas. A apresentação na CES 2026 reforça a visão da companhia para o futuro da IA: mais eficiente, mais acessível e cada vez mais presente na vida real, impulsionando inovação em escala global.