
Quando o sol começou a se deitar no horizonte de Olho d’Água do Borges, no interior do Rio Grande do Norte, na última sexta-feira (15), o som da sanfona anunciou que ali se iniciava algo maior do que uma simples festa. A quarta edição do Derradeiro de Maio abriu suas porteiras na Fazenda Tome Xote, carinhosamente batizada como a “Cidade do Forró”. O evento, que é fruto do sonho e da idealização do cantor e compositor Dorgival Dantas, transformou o município potiguar no epicentro da resistência e da celebração da cultura musical nordestina.
No palco, a primeira noite foi um verdadeiro desfile de gerações apaixonadas pela mesma raiz. Dorgival, o “Poeta do Forró”, atuou como o anfitrião de um espetáculo que uniu o peso histórico de Os 3 do Nordeste, Alcymar Monteiro e Waldonys à força contemporânea de João Gomes, Joyce Alane e Alan Matias. A festa, que começou ao entardecer, estendeu-se até as primeiras horas da manhã, deixando a poeira levantada e a alma do público lavada de tradição.
Maratona de arrasta-pé com transmissão ao vivo
Para quem não conseguiu pegar a estrada rumo à Fazenda Tome Xote, a boa notícia é que o aconchego do picadeiro junino vai invadir as telas. Neste sábado (16), a segunda noite do evento contará com transmissão ao vivo em tempo real realizada pela Inter TV, pelo g1 e pela Globo Nordeste, permitindo que os forrozeiros de todos os cantos do país acompanhem os lances do terreiro.
A programação dos próximos dias foi desenhada para manter o fole moendo sem trégua:
- Sábado (16/05 – A partir das 20h30): A noite promete ser histórica com os shows de Lucy Alves, a rainha Eliane, Flávio José e o próprio Dorgival Dantas, que subirá ao palco recebendo as participações especialíssimas de Chambinho do Acordeon, Luiz Fidélis e Flávio Leandro.
- Domingo (17/05 – A partir das 17h30): O encerramento da maratona cultural fica por conta do romantismo e da energia de Ana Clara & Ítalo Poeta, seguidos pelo balanço de William Sanfona.
O Modo Nordestino de Festejar: A fazenda que virou santuário
[Xilogravura Afetiva] A “Cidade do Forró” não é apenas um nome fantasia em um cartaz de festa; é um manifesto de pertencimento cravado no chão do Sertão potiguar. Criado por Dorgival Dantas, o espaço simula a arquitetura, o acolhimento e a atmosfera das antigas vilas do interior, onde a pressa não existe e a música é o fio que une as pessoas. Ver o turismo de experiência pulsar com tanta força fora dos grandes centros litorâneos prova que o interior do Nordeste aprendeu a valorizar sua própria identidade, transformando a memória afetiva em um motor de orgulho e desenvolvimento regional.
Consolidação turística e econômica no interior
Além do valor cultural inestimável, o Derradeiro de Maio consolida Olho d’Água do Borges como um destino obrigatório no calendário que antecede o ciclo junino oficial do Nordeste. A estrutura montada na Fazenda Tome Xote atrai anualmente caravanas de turistas, pesquisadores da cultura popular e fãs de diferentes estados, movimentando a economia formal e informal da região, desde a rede hoteleira das cidades vizinhas até o comércio local.
O sucesso do evento deixa uma mensagem clara sobre os rumos da nossa arte: o forró autêntico, quando tratado com o respeito, a estrutura e a fidalguia que merece, não precisa se curvar a modismos. Ele permanece de pé, soberano, mostrando que o Nordeste é guardião de uma riqueza que o tempo não apaga, mas revigora a cada início de noite.
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