
Em 2024, Sidrônio Moreira, agricultor de 63 anos de Tabuleiro do Norte, Ceará, encontrou um líquido preto e viscoso enquanto perfurava seu terreno em busca de água. A substância tem aparência e cheiro semelhantes aos do petróleo, o que despertou a atenção e causou espanto devido à profundidade rasa da perfuração, de aproximadamente 40 metros. Desde então, o caso passou a ser investigado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), que ainda não possui um prazo para divulgação do resultado final. Sidrônio e sua família enfrentam um problema antigo relacionado à falta de água encanada, motivo pelo qual tentavam perfurar um poço artesiano para uso doméstico e animal.
Após o achado, testes iniciais foram realizados pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), indicando que o líquido tem características físico-químicas semelhantes às do petróleo encontrado na região da Bacia Potiguar, próxima ao Ceará. A ANP visitou o sítio em março de 2025 e destacou que, embora o processo natural de exsudação do petróleo possa trazer hidrocarbonetos à superfície, o caso é atípico por causa da baixa profundidade da perfuração, e por isso, estudos adicionais serão conduzidos para esclarecer o fato.
O proprietário do terreno não se torna dono do material, pois conforme a Constituição Federal, o subsolo e suas riquezas pertencem à União. Contudo, caso a área seja explorada comercialmente no futuro, Sidrônio poderá receber até 1% de royalties, conforme previsto em lei. Para confirmar definitivamente a natureza do líquido, a ANP realizará análises detalhadas, incluindo a medição dos teores de compostos saturados, aromáticos, resinas e asfaltenos, além de verificar a origem geológica do material.
Além disso, uma amostra foi encaminhada para a Universidade Federal do Ceará (UFC), que realizará exames mais específicos para uma conclusão mais precisa. A ANP orienta a família a manter o local isolado e evitar qualquer contato com o líquido para garantir a segurança e a proteção ambiental enquanto as investigações prosseguem. Enquanto isso, Sidrônio continua enfrentando dificuldades com a falta de água, dependendo de carros-pipa e da compra de água mineral, reforçando que seu principal interesse é solucionar o problema hídrico e não obter lucro com a possível descoberta.
O caso, que ganhou repercussão local, ainda aguarda um laudo definitivo da ANP. A expectativa é que, com os estudos e análises complementares, seja possível confirmar ou descartar se o líquido encontrado no Ceará é petróleo, esclarecendo as questões técnicas e legais envolvidas na possível exploração do recurso na região.