
Há 30 anos, a ideia de construir um parque aquático numa praia do Ceará parecia improvável. Aquiraz, na época, era uma região pouco conhecida e Fortaleza, embora simpática e bonita, não figurava entre os destinos turísticos mais relevantes do Brasil. Contudo, o Beach Park não só cresceu como também se tornou um complexo hoteleiro e um ponto turístico estratégico, impulsionando a economia local. Essa aposta impactou diretamente na geração de empregos, na expansão dos hotéis, restaurantes, na arrecadação e até no surgimento de voos diretos para a cidade, mudando Fortaleza para sempre.
Agora é a vez de João Pessoa
O polo turístico do Cabo Branco, em João Pessoa, está recebendo investimentos significativos em parques temáticos, que têm potencial para realizar o mesmo impacto na capital paraibana que o Beach Park trouxe ao Ceará. O setor de parques temáticos no Brasil está em franca expansão, como destacou recente reportagem da revista VEJA, que apresentou dados impressionantes: faturamento anual de 8,4 bilhões de reais, 138 milhões de visitantes, 51 mil empregos diretos e 854 parques espalhados pelo país. Com uma perspectiva ambiciosa, o setor planeja investimentos da ordem de 10 bilhões de reais nos próximos anos, mirando a consolidação do Brasil como um polo turístico comparável a Orlando.
Empresas consolidadas já estão em movimento: o Beto Carrero World planeja dobrar seu público, passando de 2,7 para 5 milhões de visitantes até 2030, com um investimento previsto de 2 bilhões de reais. O Hopi Hari, que saiu de uma situação de recuperação judicial em 2016, projeta expansão de 5 bilhões de reais, incluindo construção de hotéis e áreas comerciais integradas ao parque. Além disso, o proprietário da Cacau Show anunciou investimento de 2,5 bilhões de reais em um novo parque no interior paulista, esperando atrair 3 milhões de visitantes no primeiro ano. A estratégia adotada é clara: o parque deixa de ser uma atração de curta visita e se consolida como um destino onde o turista permanece hospedado, consumindo localmente.
O potencial dessa tendência foi evidenciado pelo governador João Azevêdo em uma reunião virtual pós-pandemia, quando apresentou a empresária espanhola Alba Cabello, CEO do Acquaí Park. Azevêdo mencionou o exemplo de Olímpia, cidade paulista que atrai multidões por seus parques aquáticos, apesar da distância de 400 quilômetros até o aeroporto mais próximo. Ele questionava o que João Pessoa poderia conquistar com suas condições únicas: praia, sol o ano inteiro e aeroporto internacional próximo.
João Pessoa possui uma vantagem competitiva ímpar: suas praias, água morna e transparente do litoral mais oriental das Américas e uma gastronomia de frutos do mar de excelência. É um destino que pode estender a estadia dos turistas de três para até seis dias, oferecendo motivos de sobra para permanecer no local. A revista VEJA acrescenta que os novos projetos turísticos brasileiros buscam atrair as classes A e B, turistas que atualmente viajam para Orlando em busca de experiências similares. O grande desafio é convencê-los a permanecer no Brasil.
Fortaleza aprendeu essa lição antes: tornou-se um destino relevante não por campanhas publicitárias, mas pela criação de uma oferta concreta para o turista. De modo semelhante, o polo turístico do Cabo Branco tem potencial para ser a razão transformadora para João Pessoa e para a Paraíba como um todo, iniciando uma transformação econômica que ultrapassa o setor turístico, tal qual o Beach Park fez em Fortaleza, marcando uma nova fase na história econômica da cidade.