João Pessoa 28.13 nuvens dispersas Recife 28.02 nuvens dispersas Natal 28.12 nuvens dispersas Maceió 29.69 algumas nuvens Salvador 27.98 nublado Fortaleza 29.07 céu limpo São Luís 30.11 algumas nuvens Teresina 34.84 nuvens dispersas Aracaju 27.97 nuvens dispersas
Obesidade e inflamação sistêmica são novos vilões da saúde pulmonar
22 de fevereiro de 2026 / 14:52
Foto: Divulgação

Um estudo realizado no Brasil com cerca de 900 participantes revelou que o envelhecimento precoce dos pulmões não está relacionado apenas ao tabagismo. A obesidade e a inflamação sistêmica também desempenham um papel importante na perda da função pulmonar, além de aumentar o risco do desenvolvimento da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), condição tradicionalmente associada ao cigarro.

A pesquisa acompanhou 895 pessoas da Coorte de Nascimentos de Ribeirão Preto, que reúne indivíduos nascidos entre 1978 e 1979. A função pulmonar foi avaliada em dois momentos diferentes: quando os participantes tinham entre 23 e 25 anos e depois entre 37 e 38 anos. Os resultados apontaram que o tabagismo segue como o fator com maior impacto, estando associado a uma redução média de 1,95% na função pulmonar ao longo de doze anos.

Além do tabagismo, foi verificado que outros elementos contribuem de forma independente para a deterioração pulmonar. O estudo identificou que cada aumento de 1 mg/dL no nível de proteína C-reativa (PCR), um marcador de inflamação sistêmica, está ligado a um declínio de 0,76% na função dos pulmões. Já a obesidade possui um impacto proporcional: para cada aumento de 1 kg/m² no índice de massa corporal (IMC), houve uma perda adicional de 0,28% na função pulmonar.

Publicada na revista científica BMC Pulmonary Medicine e financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a pesquisa amplia o entendimento sobre as diversas causas que podem levar à perda da capacidade respiratória. Conforme o coordenador do estudo, Elcio Oliveira Vianna, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), processos metabólicos e inflamatórios podem afetar os pulmões mesmo em indivíduos jovens sem histórico conhecido de doenças respiratórias.

“A inflamação sistêmica de baixo grau, reconhecida por elevar o risco cardiovascular, também compromete os pulmões. Esse processo contínuo e discreto contribui para a lesão progressiva do tecido pulmonar, resultando em envelhecimento pulmonar precoce”, explica Vianna.

Embora os participantes ainda não estivessem na idade usual para o diagnóstico da DPOC, sinais iniciais da doença foram observados. Isso sugere que obesidade e inflamação sistêmica podem antecipar o aparecimento desse problema no futuro. A pneumologista Ana Carolina Cunha, primeira autora do estudo, ressalta que a DPOC deve ser vista como uma condição multifatorial.

“A doença é muito mais complexa do que se imaginava. Além da inflamação causada pelo tabaco, pode haver um processo inflamatório próprio do indivíduo, relacionado a fatores genéticos ou metabólicos”, afirma a especialista.

Copyright © 2025. Direitos Reservados.