
O Brasil possui uma vasta quantidade de sistemas informativos relacionados ao mercado imobiliário e à construção civil. Contudo, torna-se evidente a necessidade de um mecanismo que, em nível global, possa consolidar e disponibilizar, em um único ponto, todos os dados dispersos, além de outros que ainda serão coletados. Atento a essa demanda, a Diretoria do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) propôs a criação do Observatório Imobiliário Brasileiro (OIB), proposta que recebeu total apoio do Conselho Pleno e das 27 Regionais que formam o Sistema.
A concretização da ideia ocorreu em 5 de fevereiro, quando o comitê gestor do OIB, indicado pelo Sistema Cofeci-Creci, reuniu-se em Florianópolis, SC, para iniciar os trabalhos. Na ocasião, foi aprovada a plataforma técnica sugerida pela operadora do Observatório, a Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas (FEPESE) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Essa iniciativa inédita tem como missão compilar, monitorar e analisar informações efetivas sobre produção, vendas e locações, complementando os dados tradicionais de ofertas.
Baseado na excelência acadêmica da UFSC e na experiência consolidada da FEPESE, o OIB surge como o maior e mais sofisticado mecanismo de inteligência de mercado já estruturado na América Latina. Ele oferecerá uma leitura ampla e confiável da situação imobiliária nacional, utilizando metodologias rigorosas de governança, anonimização irreversível dos dados e filtros estatísticos para eliminar distorções, em estrita conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo transparência e confiança.
O setor imobiliário no Brasil representa aproximadamente 18% do Produto Interno Bruto nacional e sustenta milhões de empregos. Em 2025, o segmento alcançou R$ 254,8 bilhões em vendas, apresentando crescimento de 5,6% nos últimos 12 meses. Ao centralizar e analisar de modo sistemático esses dados dispersos, o Observatório Imobiliário Brasileiro se torna uma ferramenta essencial para mitigar riscos, atrair investimentos e fortalecer a competitividade brasileira no mercado mundial. Além disso, contribui para a estabilidade e o planejamento considerando toda a cadeia produtiva, mantendo diálogo com outros organismos internacionais similares.
Essa interação com o mercado global fomentará o interesse de investidores estrangeiros pelo Brasil, especialmente diante da disponibilização de dados confiáveis e comparáveis. Experiências em países como Canadá, Estados Unidos e Espanha evidenciam o impacto positivo na atração de capital e na melhoria de políticas públicas. Com a implantação do OIB, o Brasil integra esse grupo seleto de nações que adotam uma visão estratégica global para o setor imobiliário. O uso de informações reais sobre vendas e locações permitirá análises mais precisas e identificação clara das tendências de mercado.
Vale destacar que o projeto não possui caráter fiscalizador ou de monitoramento coercitivo. Sua função principal é promover inteligência de dados fundamentada na ciência, posicionando-se como um instrumento crucial para decisões estratégicas. A união da credibilidade do Sistema Cofeci-Creci, da excelência acadêmica da UFSC e da capacidade da FEPESE em transformar conhecimento científico em soluções inovadoras entrega ao Brasil um recurso que reposiciona o país no mapa global do mercado imobiliário. O reconhecimento vai para o Comitê Gestor do OIB e as instituições parceiras que tornam possível esse avanço de grande impacto econômico e social.