
Após paralisação que começou na manhã desta segunda-feira (6), os ônibus das linhas intermunicipais e da região metropolitana de Natal retomaram a circulação no fim da tarde do mesmo dia. O protesto, motivado pela comunicação das empresas sobre o pagamento de salários de forma parcelada em março, prejudicou o transporte de passageiros em diversas regiões do Rio Grande do Norte durante o período da manhã. Além disso, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Rio Grande do Norte (Sintro) apontou que algumas empresas efetuaram demissões sem garantir o pagamento dos direitos rescisórios dos funcionários.
A trégua entre as partes foi firmada após reunião envolvendo representantes das empresas, do governo estadual e dos motoristas. Ficou acordado o início de uma mesa de negociação permanente, que ocorrerá entre esta segunda e sexta-feira, para discutir mecanismos que possibilitem o custeio das operações pelas empresas. Segundo o diretor técnico da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste (Fetronor), Almir Bonora, as demissões anunciadas foram suspensas e os salários deveriam ser regularizados até a terça-feira seguinte.
O presidente do sindicato, Júnior Rodoviário, confirmou que a Rodoviária de Natal, que havia sido cercada pelos ônibus durante a paralisação, foi liberada e que os veículos voltaram a circular normalmente. Ele explicou que o pedido de trégua partiu do secretário chefe do Gabinete Civil do RN e que a retomada das atividades dependeria da suspensão das negociações e da garantia de pagamento aos trabalhadores.
Conforme Raimundo Alves, chefe do Gabinete Civil, os representantes do governo, empresas e trabalhadores continuarão negociando para encontrar uma solução conjunta. O governo já concede subsídios para a operação das empresas e se compromete a estudar medidas adicionais para colaborar com o setor.
Durante a paralisação, cerca de 400 ônibus permaneceram parados, formando filas na Rodoviária de Natal. O presidente do Sintro explicou que a decisão dos motoristas decorreu do pagamento parcelado anunciado pelas empresas, sem que houvesse discussão prévia com o sindicato. Além disso, uma empresa demitiu 50 trabalhadores sem previsão para o pagamento das rescisórias, fato que intensificou o movimento.
Do lado das empresas, o presidente da Fetronor, Eudo Laranjeiras, confirmou a proposta de parcelamento dos salários devido à alta de aproximadamente 30% no preço do óleo diesel, o maior custo da operação. Laranjeiras ressaltou a necessidade de subsídios governamentais ou aumento da tarifa para evitar cortes na frota e demissões. Uma das empresas, Trampolim, declarou a intenção de suspender 25 viagens e demitir 50 funcionários caso a situação não se normalize.
O Governo do Rio Grande do Norte, por sua vez, reafirmou que mantém, desde 2020, isenção do ICMS sobre o diesel para as empresas de transporte público intermunicipal e urbano de Natal, beneficiando o setor em cerca de R$ 80 milhões até o momento, com esse benefício garantido até o final de 2026. Além disso, o governo destacou ter autorizado reajustes tarifários e aderido à proposta federal de subsídio ao diesel importado para minimizar o impacto da alta dos combustíveis provocada pela guerra internacional.