
O fim dos orelhões nas ruas brasileiras está próximo. No Ceará, ainda há 465 telefones públicos espalhados por diversas cidades, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). No entanto, esses aparelhos começam a ser retirados definitivamente a partir de janeiro, pois as concessões para a operação desses serviços terminaram em 2023.
De acordo com a Anatel, há cerca de 38 mil aparelhos em todo o Brasil, dos quais quase 500 estão no Ceará. Destes, 287 ainda estão ativos e 178 em manutenção. A retirada será gradual, iniciando pela remoção das carcaças e aparelhos desativados. Os orelhões permanecerão apenas nas localidades onde não há cobertura de rede celular, mas essa situação será mantida somente até 2028.
Cidades cearenses como Pacatuba, Acaraú, Croatá, Jaguaruana, Santana do Cariri e Pereiro possuem apenas um orelhão instalado cada uma. Já em Fortaleza, Eusébio e Aquiraz, não foram disponibilizados dados recentes sobre a presença desses telefones públicos. Essa atualização detalhada permite acompanhar a situação do orelhão no Ceará.
O fim das obrigações para as empresas Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefonica, responsáveis pelos telefones públicos, foi determinado após o término dos contratos no ano passado. Em contrapartida, a Anatel exige que esses recursos sejam direcionados para investimentos em infraestrutura de banda larga e telefonia móvel, áreas essenciais para a comunicação atual no país.
Historicamente, o orelhão foi criado em 1971 pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira. O design inovador não só virou referência, sendo reproduzido em países como Peru, Angola, Moçambique e China, como também tinha função acústica especial. Sua estrutura projetava o som para fora da cabine, o que permitia melhor qualidade nas chamadas e proteção contra ruídos externos.
O processo de desativação já vinha acontecendo há alguns anos. Em 2020, o Brasil ainda contava com aproximadamente 202 mil orelhões nas ruas. Atualmente, a prioridade nas comunicações migra para as redes móveis e banda larga, o que justifica a redução dos telefones públicos nas cidades brasileiras, inclusive no Ceará. Em resumo, os orelhões ainda fazem parte da paisagem cearense, mas seu fim está próximo, acompanhando uma tendência nacional.