
Panamericano, bairro localizado em Fortaleza, chama a atenção por suas ruas batizadas com nomes de estados brasileiros como Santa Catarina e Amazonas. O bairro, de origem singular, teve sua formação atrelada à presença militar dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, especialmente entre as décadas de 1940 e 1950. Atualmente, o bairro integra a Regional 11 da capital cearense, cuja população estimada chega a 240 mil moradores distribuídos em 13 bairros.
Com aproximadamente 8.580 habitantes segundo o censo do IBGE de 2022, o Panamericano é um dos menores municípios residenciais de Fortaleza e está situado próximo a bairros como Pici, Parangaba e Montese. Suas ruas representam estados brasileiros, com quarteirões que representam Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rondônia, Goiás, entre outros, em uma área de pouco mais de 500 metros quadrados. A praça principal, Praça Mauá, é um ponto de encontro tradicional para os moradores.
A história do Panamericano remonta à ocupação inicial por militares norte-americanos, ligados à base militar situada no bairro Pici, e posteriormente por militares brasileiros da Aeronáutica. Posteriormente, o bairro passou a receber moradores civis. No passado, a região era composta por sítios e loteamentos pertencentes à família Gentil. A etimologia do nome “Panamericano” deriva da combinação do prefixo latino “Pan”, que significa “todo” ou “inteiro”, com “americano”, referindo-se à América, expressando a origem e a diversidade do bairro.
Um dos moradores mais antigos e conhecidos da região, o artesão Claudio Sombra, que vive no Panamericano desde 1978, relembra que a localidade antes se chamava “Zaningas”, nome de uma planta típica de áreas ribeirinhas, refletindo a geografia repleta de riachos e lagos do bairro. Após a saída dos militares americanos por volta de 1950, o nome foi alterado para Panamericano, influência direta da presença militar na região.
Claudio também destaca que a influência da ocupação dos EUA permanece viva entre os moradores mais velhos, que referem-se ao Campus do Pici da Universidade Federal do Ceará como “Base Velha”, local que antes abrigava uma unidade militar dos Estados Unidos.
Demonstrando interesse em preservar a memória do bairro, Claudio criou há cerca de uma década uma comunidade no Facebook chamada “Pan Americano, Memórias!”, que já reúne mais de 31 mil membros compartilhando relatos, fotografias e histórias do bairro. Além disso, inaugurou um perfil no Instagram sobre o tema, com mais de 3 mil seguidores ativos, fortalecendo o resgate da história local e o sentimento de pertencimento entre os moradores.
O bairro Panamericano, com suas ruas que homenageiam estados brasileiros e sua origem ligada à Segunda Guerra Mundial, é um exemplo singular da história urbana de Fortaleza, mesclando passado militar e identidade cultural, refletida no cotidiano e nas memórias compartilhadas por sua comunidade.