
Um relatório divulgado pelo Comitê Seleto sobre o Partido Comunista Chinês, órgão ligado à Câmara dos Representantes dos EUA, trouxe à tona questionamentos sobre parcerias científicas entre Brasil e China. As informações foram publicadas pelo Poder360 e ganharam repercussão no cenário político e acadêmico.
O documento, divulgado em 26 de fevereiro, menciona a existência de uma suposta base militar secreta chinesa denominada “Estação Terrestre de Tucano”, que estaria localizada em Salvador, na Bahia. Segundo o relatório, a estrutura funcionaria na sede da empresa Ayla Space. O texto levanta preocupações sobre o possível uso dual — civil e militar — de instalações ligadas a cooperação tecnológica e espacial.
Além da Bahia, o relatório também cita a Paraíba, especificamente a Serra do Urubu, situada na zona rural do município de Aguiar. No local está sendo implantado o radiotelescópio Bingo Telescope (Baryon Acoustic Oscillations from Integrated Neutral Gas Observations), fruto de cooperação internacional voltada à pesquisa em radioastronomia.
O projeto envolve parceria entre o China Electric Science and Technology Network Communication Research Institute (CESTNCRI) e instituições brasileiras como a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A iniciativa tem como objetivo o desenvolvimento de pesquisas avançadas em radioastronomia, observação do espaço profundo e planejamento de grandes projetos científicos.
O radiotelescópio Bingo foi concebido para estudar oscilações acústicas bariônicas, fenômeno fundamental para compreender a expansão do universo e a energia escura. Cientistas envolvidos no projeto destacam que se trata de uma iniciativa de caráter acadêmico e científico, inserida em redes internacionais de pesquisa.
O relatório norte-americano, contudo, aponta preocupações estratégicas sobre a crescente presença chinesa em projetos tecnológicos e espaciais na América Latina. Segundo o documento, estruturas com potencial de monitoramento espacial poderiam, em tese, ter aplicações além das finalidades declaradas oficialmente.
Até o momento, não há confirmação pública de que as instalações mencionadas tenham finalidade militar. As parcerias firmadas entre instituições brasileiras e chinesas são formalmente descritas como acordos científicos e acadêmicos, voltados à produção de conhecimento e desenvolvimento tecnológico.
A divulgação do relatório reacende o debate sobre geopolítica, soberania tecnológica e cooperação internacional em áreas sensíveis como telecomunicações e exploração espacial, especialmente em um contexto global marcado por disputas estratégicas entre Estados Unidos e China.