
O economista Paulo Câmara, ex-governador de Pernambuco, está prestes a reassumir a presidência do Banco do Nordeste (BNB). A indicação para seu retorno foi feita diretamente pelo presidente Lula e conta com o apoio do Ministério da Fazenda, devendo ser oficializada ainda nesta semana pelo Conselho de Administração da instituição. Essa será a segunda passagem de Câmara à frente do banco, consolidando sua importância para a região Nordeste.
O nome de Paulo Câmara já passou pela fase consultiva do Conselho de Elegibilidade, restando apenas a formalização pelo colegiado administrativo. Entre março de 2023 e outubro de 2025, ele exerceu sua primeira gestão como presidente do BNB, precisando se afastar temporariamente para cumprir exigências previstas na Lei das Estatais relacionadas a restrições para pessoas que tenham exercido cargos de direção partidária, situação que envolveu seu vínculo com o PSB.
Apesar da saída, que sempre foi vista como temporária nos bastidores, aliados de Câmara já previam seu retorno estratégico para 2026. O Banco do Nordeste ocupa uma posição de destaque no cenário político e econômico da região, sendo responsável pela execução do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). Esse fundo é a principal fonte de crédito para setores como infraestrutura, agronegócio e microempreendedorismo nos nove estados do Nordeste, além de Minas Gerais e Espírito Santo.
Devido à sua ampla atuação e ao volume significativo de recursos que administra, a presidência do BNB é um cargo altamente valorizado dentro da Esplanada dos Ministérios. Ela confere ao dirigente uma forte capacidade de articulação regional e influência direta sobre políticas de desenvolvimento em uma área geograficamente extensa e de grande importância eleitoral para o Governo Federal.
Com um perfil técnico e vasta experiência, Paulo Câmara é servidor de carreira do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) e cumpriu dois mandatos consecutivos como governador entre 2015 e 2022. Ele alia conhecimento em gestão pública a uma rede política consolidada, que inclui interlocução com governadores do Consórcio Nordeste e líderes de diferentes espectros políticos.
A recondução de Câmara indica a aposta do Palácio do Planalto na continuidade dos projetos iniciados na sua primeira administração, com a expectativa de fortalecer o papel do Banco do Nordeste como agente de investimentos estruturantes. Com o suporte do Ministério da Fazenda, espera-se que o banco acelere, ainda neste ano, a liberação de linhas de crédito prioritárias para iniciativas ligadas à transição energética e à agricultura familiar, fortalecendo o desenvolvimento da região.