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Peixe mero raro é registrado no litoral de Alagoas e está em risco de extinção
18 de fevereiro de 2026 / 19:43
Foto: Divulgação

Um peixe mero, espécie classificada como criticamente ameaçada de extinção no Brasil, foi avistado em 17 de fevereiro durante um mergulho científico em Coruripe, no litoral sul de Alagoas. O exemplar, pertencente à espécie Epinephelus itajara, media aproximadamente 1,20 metro e foi encontrado a cerca de 10 metros de profundidade em um habitat recifal rico em diversidade marinha e com vários abrigos naturais, ambiente típico dessa espécie.

O registro foi realizado pelo pesquisador Márcio Lima Jr., do Projeto Meros do Brasil e do Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Conservação da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). A equipe tinha mapeado previamente a área com base em entrevistas com pescadores e mergulhadores profissionais, o que indicava a possibilidade de encontrar um mero naquele local. Segundo Márcio, o animal demonstrou curiosidade com a presença da equipe, refletindo seu comportamento tranquilo e curioso. Ele acrescenta que, apesar do tamanho impressionante, o mero costuma se aproximar dos mergulhadores, investigando-os e até os seguindo, apresentando risco mínimo quando respeitado.

O encontro com um mero adulto em seu ambiente natural é motivo de celebração, uma vez que esses peixes são menos comuns hoje em Alagoas do que em décadas passadas, quando eram frequentemente vistos. A espécie depende da saúde dos ecossistemas costeiros, utilizando manguezais para seu crescimento juvenil e recifes para sua fase adulta. A preservação dessas áreas é fundamental para a sobrevivência do mero, conforme ressalta o pesquisador, exemplificando que há registros de juvenis em recifes rasos próximos à costa e exemplares adultos em profundidades superiores a 100 metros.

O litoral sul de Alagoas é uma região estratégica para a conservação do mero, pois abriga berçários importantes e possíveis locais de reprodução. Essa espécie tem uma maturidade sexual tardia, atingindo-a por volta dos 6 ou 7 anos, e forma grandes agregações para desova, tornando-se vulnerável à pesca predatória. Além disso, a poluição e a degradação ambiental são ameaças significativas ao seu futuro.

Apesar das proteções legais, a pesca ilegal ainda preocupa, com exemplares sendo vendidos de forma clandestina, muitas vezes disfarçados para dificultar a identificação. Para os pesquisadores, manter o mero vivo tem mais valor ecológico e econômico, pois além de preservar o equilíbrio do ecossistema marinho, o peixe também é uma atração turística que pode gerar renda sustentável por meio do turismo de observação.

O Projeto Meros do Brasil, ativo há quase uma década, realiza mergulhos científicos, monitoramento, educação ambiental e conta com o apoio de unidades de conservação e parcerias locais. Os pesquisadores recomendam que, ao encontrar um exemplar vivo ou morto, as pessoas registrem imagens e comuniquem o projeto, além de nunca pescar, transportar, comprar ou consumir o mero, práticas proibidas por lei. Cada registro de um mero vivo representa um sinal da resistência do ambiente marinho na região.

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