
O governo de Pernambuco anunciou nesta quarta-feira, 31 de dezembro, a decretação de situação de emergência em 107 municípios do estado em razão da prolongada estiagem que vem afetando diversas regiões pernambucanas. A medida foi oficializada por meio do Decreto nº 60.112, publicado no Diário Oficial do Estado, e terá validade de 180 dias, passando a vigorar a partir do dia 4 de janeiro.
O decreto foi assinado pela governadora Raquel Lyra (PSD) e tem como principal objetivo mitigar os impactos da escassez de chuvas, especialmente no abastecimento de água, que tem provocado dificuldades significativas tanto para a população urbana quanto para comunidades rurais. A situação de emergência permite maior agilidade na adoção de medidas administrativas, na liberação de recursos e na execução de ações emergenciais para enfrentar a crise hídrica.
De acordo com o governo estadual, a decisão foi motivada pela seca hidrológica persistente, que compromete os níveis dos reservatórios, afeta as redes de distribuição de água e prejudica atividades essenciais, como o consumo humano, a agricultura e a pecuária. O decreto também busca dar suporte aos municípios mais impactados, permitindo parcerias e ações coordenadas entre o Estado, as prefeituras e órgãos federais.
A medida foi embasada em estudos técnicos elaborados pela Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil, além de pareceres da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) e de outras instituições estaduais ligadas à gestão hídrica e ambiental. Esses levantamentos apontaram a gravidade e a persistência do cenário de estiagem em diversas áreas do estado.
Segundo a Apac, a situação é mais crítica na região do extremo oeste de Pernambuco, onde foi identificada uma condição de seca extrema. Já o Agreste pernambucano, especialmente nas áreas próximas à divisa com Alagoas, tem registrado um agravamento da seca fraca, o que eleva o risco de colapso no abastecimento e impacta diretamente a produção agrícola e a segurança hídrica da população.
O governo estadual lembrou que essa não é a primeira vez que adota medidas emergenciais diante da estiagem. Em janeiro deste mesmo ano, Pernambuco já havia decretado situação de emergência em 117 municípios, o que evidencia a persistência e recorrência do problema da seca severa no estado, agravada por mudanças climáticas e pela irregularidade do regime de chuvas.
Desde 2023, a gestão estadual vem ampliando ações voltadas ao enfrentamento da crise hídrica. Entre as iniciativas destacam-se a implantação de sistemas simplificados de abastecimento de água, além da recuperação e instalação de dessalinizadores, beneficiando tanto comunidades rurais quanto áreas urbanas. Até o momento, 23 sistemas desse tipo já foram entregues, contribuindo para melhorar o acesso à água potável em regiões mais vulneráveis.
Em 2025, a Compesa intensificou ainda mais seus esforços, com a realização de obras estruturantes e a execução de ações emergenciais para reduzir os impactos da escassez hídrica. Ao todo, cerca de 100 municípios foram atendidos com diferentes intervenções, incluindo a ampliação de sistemas, melhorias em adutoras e reforço na distribuição de água. Foram concluídas aproximadamente 117 obras, com investimentos que somam cerca de R$ 650 milhões.
Com a decretação da situação de emergência, o governo de Pernambuco reafirma seu compromisso em enfrentar os efeitos da estiagem, priorizando o abastecimento humano e a preservação da infraestrutura hídrica do estado. A medida também busca garantir respostas mais rápidas e eficazes para minimizar os prejuízos causados pela falta de chuvas, assegurando melhores condições de vida para a população afetada.