
O governo de Pernambuco anunciou o lançamento de um edital para retomar o monitoramento de tubarões no litoral do estado, utilizando microchips para acompanhar o comportamento e os trajetos desses animais. A iniciativa busca evitar novos ataques ao registrar os locais por onde os tubarões circulam. O trabalho, que estava suspenso desde 2015, terá investimentos superiores a R$ 1 milhão para um período de dois anos, com previsão de reinício em maio deste ano.
Desde 1992, o estado contabilizou 80 ataques de tubarão, com 67 ocorridos no Grande Recife e 13 em Fernando de Noronha, segundo o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit). O caso mais recente foi a mordida na perna da turista Dayane Dalezen, 36 anos, em Fernando de Noronha, ocorrido na última sexta-feira (9). Ela recebeu atendimento hospitalar e teve o ferimento considerado sem gravidade.
Daniel Coelho, secretário estadual de Meio Ambiente, destacou a importância de atualizar a base de dados antiga sobre a presença dos tubarões em Pernambuco. Ele explicou que, a partir da retomada do monitoramento, será possível identificar a quantidade de tubarões em cada trecho de praia, os horários em que se aproximam da costa e, com isso, promover ações educativas que orientem a população e previnam incidentes.
Hoje, o monitoramento ocorre apenas no arquipélago de Noronha, realizado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Com o edital, a expectativa é ampliar o trabalho para toda a costa continental do estado. O edital, com prazo até o início de março para propostas, requer vinculação às instituições acadêmicas públicas. O sistema implantado usará microchips nos animais para acompanhar, em tempo real, a circulação de tubarões em diferentes áreas da costa.
A área com maior probabilidade de ataques está delimitada num trecho de 33 km entre a Reserva do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, e a Praia do Farol, em Olinda. O banho de mar está proibido somente em 2,2 km entre a Igrejinha e o Hospital da Aeronáutica, na praia de Piedade, Jaboatão dos Guararapes.
Paulo Oliveira, professor e coordenador do curso de engenharia de pesca da UFRPE, ressaltou que a instituição pretende participar do edital. Ele explicou que o monitoramento consiste na captura, marcação e soltura dos tubarões para compreender seus padrões de deslocamento, além da criação de uma plataforma que facilite o acesso da população a esses dados, fundamental para que as pessoas conheçam melhor a utilização do mar nessa área de risco.
Com o retomada do monitoramento de tubarões, Pernambuco espera reforçar a segurança dos banhistas e melhorar a gestão da fauna marinha no litoral do estado.