João Pessoa 28.13 nuvens dispersas Recife 28.02 nuvens dispersas Natal 28.12 nuvens dispersas Maceió 29.69 algumas nuvens Salvador 27.98 nublado Fortaleza 29.07 céu limpo São Luís 30.11 algumas nuvens Teresina 34.84 nuvens dispersas Aracaju 27.97 nuvens dispersas
publicidade
Pesquisa agrícola do Nordeste tem apenas 12% dos registros de patentes verdes
28 de janeiro de 2026 / 17:55
Foto: Divulgação

Dos 1.205 pedidos de patentes verdes nacionais registrados no Brasil entre 2012 e 2025, apenas 12% foram provenientes de instituições de pesquisa do Nordeste, conforme dados do Observatório de Tecnologias Verdes do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Essa participação coloca a região na terceira posição no cenário nacional, atrás do Sudeste, com 50% dos pedidos, e do Sul, que registra 30%. Essa pequena representatividade contrasta com o potencial agrícola da região e evidencia uma sub-representação da inovação sustentável no setor agrícola nordestino, justamente quando o Brasil se consolida como o segundo maior produtor global desse tipo de tecnologia para o agronegócio.

O relatório do INPI analisou 6.300 documentos relacionados a pedidos de patentes e modelos de utilidade submetidos no país desde 2012 até novembro de 2025, focando em tecnologias vinculadas à agricultura sustentável, uma área estratégica para a descarbonização da economia nacional e para a segurança alimentar. Globalmente, os 1.205 pedidos brasileiros posicionam o país em segundo lugar, atrás apenas dos Estados Unidos, que somam 2.515 registros, seguido pela Alemanha com 509 pedidos. O levantamento abrangeu solicitantes de 71 países, demonstrando o caráter internacional das inovações voltadas para a agricultura sustentável no Brasil.

Entre os pedidos brasileiros, de 70% a 73% estão relacionados a biofertilizantes e defensivos sustentáveis, insumos que causam menos impacto ao solo e à saúde humana em comparação aos produtos químicos convencionais. Há uma convergência tecnológica nítida, com 1.302 pedidos enquadrados simultaneamente nessas duas categorias. No total considerando origem estrangeira, as tecnologias para biofertilizantes e biodefensivos representam 73% dos registros, superando a agricultura digital, que conta com 2.132 pedidos nesse período.

Quanto à origem dos pedidos no Brasil, 465 são de empresas com participação brasileira, 435 de pessoas físicas, 389 de instituições públicas de pesquisa e 41 de entidades da sociedade civil sem fins lucrativos. Isso evidencia que a inovação agrícola verde tem um perfil distribuído, com maior influência das instituições públicas e acadêmicas. A Embrapa é a instituição pública com maior número de pedidos, totalizando 34 projetos, ficando à frente de universidades e outras entidades.

No Nordeste, os pedidos se concentram principalmente na Bahia (31), Pernambuco (30) e Sergipe (24), com outros estados apresentando números menores, evidenciando desigualdades regionais. A Universidade Federal de Sergipe lidera a região com 19 pedidos, seguida pela Federal de Pernambuco com 14 e pela Federal de Campina Grande com 11. Essas universidades representam uma parcela significativa da inovação no Nordeste, mas, juntas, não superam a produção da Embrapa. Além disso, nenhuma universidade nordestina figura entre as 20 maiores depositantes nacionais de patentes verdes, o que aponta dificuldades em transformar pesquisas em propriedades intelectuais protegidas.

O Nordeste enfrenta obstáculos estruturais para converter seu potencial em patentes verdes, apesar das condições climáticas e da biodiversidade favoráveis e da produção agrícola relevante. O número reduzido de colaborações inter-regionais — apenas 5,6% dos pedidos brasileiros possuem co-titularidade de regiões distintas — também limita a ampliação da capacidade inovadora. A composição do setor mantém a predominância de entidades públicas e acadêmicas, com pouca participação do setor privado no Nordeste.

Dos 6.300 pedidos analisados, 39% ainda aguardam decisão do INPI, 31% foram indeferidos, 26% resultaram em patentes vigentes e 4% foram extintos. Isso demonstra a dificuldade para as inovações alcançarem proteção legal efetiva e comercialização. A pesquisa do INPI está disponível para consulta pública, oferecendo uma visão detalhada das tecnologias verdes agrícolas depositadas no Brasil desde 2012, até novembro de 2025.

publicidade
Copyright © 2025. Direitos Reservados.