
Dos 1.205 pedidos de patentes verdes nacionais registrados no Brasil entre 2012 e 2025, apenas 12% foram provenientes de instituições de pesquisa do Nordeste, conforme dados do Observatório de Tecnologias Verdes do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Essa participação coloca a região na terceira posição no cenário nacional, atrás do Sudeste, com 50% dos pedidos, e do Sul, que registra 30%. Essa pequena representatividade contrasta com o potencial agrícola da região e evidencia uma sub-representação da inovação sustentável no setor agrícola nordestino, justamente quando o Brasil se consolida como o segundo maior produtor global desse tipo de tecnologia para o agronegócio.
O relatório do INPI analisou 6.300 documentos relacionados a pedidos de patentes e modelos de utilidade submetidos no país desde 2012 até novembro de 2025, focando em tecnologias vinculadas à agricultura sustentável, uma área estratégica para a descarbonização da economia nacional e para a segurança alimentar. Globalmente, os 1.205 pedidos brasileiros posicionam o país em segundo lugar, atrás apenas dos Estados Unidos, que somam 2.515 registros, seguido pela Alemanha com 509 pedidos. O levantamento abrangeu solicitantes de 71 países, demonstrando o caráter internacional das inovações voltadas para a agricultura sustentável no Brasil.
Entre os pedidos brasileiros, de 70% a 73% estão relacionados a biofertilizantes e defensivos sustentáveis, insumos que causam menos impacto ao solo e à saúde humana em comparação aos produtos químicos convencionais. Há uma convergência tecnológica nítida, com 1.302 pedidos enquadrados simultaneamente nessas duas categorias. No total considerando origem estrangeira, as tecnologias para biofertilizantes e biodefensivos representam 73% dos registros, superando a agricultura digital, que conta com 2.132 pedidos nesse período.
Quanto à origem dos pedidos no Brasil, 465 são de empresas com participação brasileira, 435 de pessoas físicas, 389 de instituições públicas de pesquisa e 41 de entidades da sociedade civil sem fins lucrativos. Isso evidencia que a inovação agrícola verde tem um perfil distribuído, com maior influência das instituições públicas e acadêmicas. A Embrapa é a instituição pública com maior número de pedidos, totalizando 34 projetos, ficando à frente de universidades e outras entidades.
No Nordeste, os pedidos se concentram principalmente na Bahia (31), Pernambuco (30) e Sergipe (24), com outros estados apresentando números menores, evidenciando desigualdades regionais. A Universidade Federal de Sergipe lidera a região com 19 pedidos, seguida pela Federal de Pernambuco com 14 e pela Federal de Campina Grande com 11. Essas universidades representam uma parcela significativa da inovação no Nordeste, mas, juntas, não superam a produção da Embrapa. Além disso, nenhuma universidade nordestina figura entre as 20 maiores depositantes nacionais de patentes verdes, o que aponta dificuldades em transformar pesquisas em propriedades intelectuais protegidas.
O Nordeste enfrenta obstáculos estruturais para converter seu potencial em patentes verdes, apesar das condições climáticas e da biodiversidade favoráveis e da produção agrícola relevante. O número reduzido de colaborações inter-regionais — apenas 5,6% dos pedidos brasileiros possuem co-titularidade de regiões distintas — também limita a ampliação da capacidade inovadora. A composição do setor mantém a predominância de entidades públicas e acadêmicas, com pouca participação do setor privado no Nordeste.
Dos 6.300 pedidos analisados, 39% ainda aguardam decisão do INPI, 31% foram indeferidos, 26% resultaram em patentes vigentes e 4% foram extintos. Isso demonstra a dificuldade para as inovações alcançarem proteção legal efetiva e comercialização. A pesquisa do INPI está disponível para consulta pública, oferecendo uma visão detalhada das tecnologias verdes agrícolas depositadas no Brasil desde 2012, até novembro de 2025.