
Um estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apresentou uma proposta para modificar a classificação dos chamados gigavírus, um grupo de vírus gigantes descoberto no início do século XXI. A pesquisa, liderada por Luiz-Eduardo Del-Bem, aponta que a família viral Asfarviridae, atualmente considerada única, deve ser subdividida em diferentes famílias, visando aprimorar a compreensão da evolução desses organismos.
Os gigavírus são notáveis pelo seu tamanho excepcional e complexidade genética. Diferentemente de vírus comuns, como o da COVID-19 que mede cerca de 120 nanômetros e possui aproximadamente 11 genes, esses vírus podem chegar a até 2.600 nanômetros e compartilhar centenas de genes. Essa característica os torna tão grandes e complexos que, às vezes, são confundidos com bactérias, segundo o pesquisador Thiago Mendonça-Santos, também envolvido no estudo.
Na análise genética, os pesquisadores identificaram 2.483 grupos diferentes de genes divididos entre os vírus estudados, entretanto, apenas 37 genes estavam presentes em todos eles. Cerca de 40% dos genes apareceram em apenas um vírus, o que demonstra a alta diversidade genética dentro do grupo. Os cientistas aplicaram métodos comparativos usualmente empregados em estudos de plantas e organismos multicelulares, uma abordagem ainda pouco comum na virologia.
Além disso, a pesquisa considerou a variedade dos hospedeiros infectados por esses vírus, que vai desde amebas até animais, como porcos, reforçando a possibilidade de que o grupo seja mais diverso do que se imaginava. A revisão proposta pode corrigir limitações existentes na taxonomia atual e é considerada importante para o avanço da compreensão dos gigavírus, cujo papel biológico ainda é pouco conhecido.