
João Pessoa inicia 2026 com um novo panorama de expansão urbana, segundo estudo do Instituto Ranking PB (IRPB) em parceria com o Grupo Prospecta. A pesquisa identifica que as regiões do Altiplano, Portal do Sol e Cabo Branco concentram a maior renda familiar de alto padrão da cidade, mantendo densidade demográfica inferior a outras áreas consolidadas e se destacando como o principal vetor de crescimento econômico, imobiliário e populacional da capital paraibana.
O estudo analisou as 14 zonas oficiais de planejamento urbano da cidade, cruzando dados como renda, densidade domiciliar e perfil socioeconômico das famílias. Os resultados indicam que o eixo Altiplano–Portal do Sol–Cabo Branco concentra aproximadamente R$ 225 milhões mensais em renda das famílias das classes A a AAA, situando-se nas áreas de maior verticalização e adensamento emergente.
Na Zona 2, que engloba esses bairros, existem 15.250 domicílios com renda média familiar de R$ 24.396. Desta forma, a pesquisa revela que há 4 domicílios AAA, com renda superior a R$ 254 mil por mês, totalizando R$ 16,17 milhões mensais, 99 domicílios AA com renda entre R$ 112 mil e R$ 254 mil somando R$ 13,53 milhões e 3.550 domicílios A com renda mensal de até R$ 112 mil, que juntos acumulam R$ 142,28 milhões. Assim, considerando somente esses grupos de alta renda, a zona ultrapassa R$ 221 milhões mensais, destacando-se como um importante polo de consumo qualificado da cidade.
O presidente do Instituto Ranking PB, Alisson Holanda, explica que o cenário representa um “ponto de virada” para a organização urbana de João Pessoa, que agora se estrutura em torno desses vetores econômicos com alta renda e espaço para crescimento, conectando-se diretamente ao Polo Turístico Cabo Branco e à Zona Sul.
A pesquisa também evidenciou um crescimento populacional robusto, com taxa geométrica anual de 3,23% de 2010 a 2024, o que significa um acréscimo médio de 28.707 habitantes por ano, chegando a cerca de 888 mil moradores em 2024. Este crescimento é acompanhado por uma economia diversificada, relevância da renda formal (cerca de 48% da população ativa com vínculos formais) e uma população flutuante expressiva que atua na cidade diariamente.
A concentração de renda alta nesta região impulsiona a chegada de empreendimentos premium, serviços especializados, clínicas, escolas e comércio voltados ao público de alto poder aquisitivo. Segundo especialistas, esse vetor tem potencial para alcançar mais de R$ 1 bilhão mensais em renda familiar nos próximos anos, transformando-se em um novo centro econômico da capital.
Entretanto, o estudo ressalta a necessidade de planejamento e infraestrutura adequados para acompanhar este crescimento, destacando intervenções em mobilidade, como nova ligação viária entre Altiplano e o Hospital Universitário/UFPB, melhorias viárias e projetos de viadutos que visam suportar a expansão.
A região da Zona Sul, historicamente operária, também tem seu perfil reconfigurado pela integração com o Polo Turístico Cabo Branco e o eixo de alta renda, formando um corredor que gera empregos, renda e demanda imobiliária.
Apesar do cenário promissor, o avanço do vetor Altiplano–Portal do Sol requer monitoramento constante para evitar problemas como saturação urbana e desafios na oferta imobiliária, salientando a importância de uma governança que alinhe políticas públicas e investimentos do setor privado.
O estudo do Instituto Ranking PB com o Grupo Prospecta conclui que o eixo Altiplano–Portal do Sol–Cabo Branco é crucial para o futuro econômico e urbanístico de João Pessoa, convidando a cidade a refletir sobre o modelo de crescimento desejado e inclusivo para os próximos anos.