
O Museu dos Povos Indígenas do Piauí – Anízia Maria, situado na Comunidade Nazaré, em Lagoa de São Francisco, recebe desde o dia 5 de janeiro a exposição fotográfica “Piauí Afropindorâmico”, a primeira do estado inteiramente instalada dentro de ocas indígenas. A mostra ficou aberta ao público até o dia 6 de fevereiro, com visitação gratuita de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h e das 14h às 17h.
Viabilizada por recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), a exposição conta com o apoio do Governo do Estado do Piauí, através da Secretaria de Estado da Cultura (Secult). Antes de chegar a Lagoa de São Francisco, o projeto passou por cidades históricas como Oeiras e Amarante, configurando-se como uma ação itinerante que valoriza a cultura afro-indígena na região piauiense.
A exposição representa um marco histórico cultural no estado, pois pela primeira vez uma mostra fotográfica ocupa três ocas tradicionais da comunidade indígena Tabajara – duas medianas e a grande oca. A concepção da mostra respeita a circularidade, simbolismos e energias do espaço ancestral, oferecendo ao visitante uma experiência sensorial e cultural diferenciada.
O fotógrafo Chico Rasta, autor da exposição, destaca a importância de realizá-la no Museu dos Povos Indígenas. Segundo ele, iniciar 2026 com essa mostra nesse espaço é muito significativo, pois a adaptação ao local manteve a circularidade e potencializou a energia do ambiente. Estar dentro das ocas, com a comunidade servindo de receptora e guia, torna a experiência ainda mais profunda.
O acervo da exposição reúne registros fotográficos produzidos ao longo de mais de 15 anos, que retratam manifestações culturais, populares e vivências ligadas diretamente às matrizes afro-indígenas, presentes na formação histórica e cultural do Piauí. Esse diálogo acontece de forma natural na Comunidade Nazaré, onde a ancestralidade permanece viva no cotidiano dos moradores.
Um diferencial importante da edição atual é que os próprios povos indígenas da Comunidade Nazaré são protagonistas das imagens, reforçando um sentimento de pertencimento, valorização coletiva e reconhecimento de suas raízes.
Com entrada gratuita e acesso democrático, a mostra Piauí Afropindorâmico reafirma o compromisso da Secult em apoiar ações que descentralizam políticas culturais, ocupam espaços tradicionais e valorizam os saberes dos povos originários e comunidades tradicionais do estado. Mais do que uma simples exposição fotográfica, o projeto convida o público a refletir sobre identidade, ancestralidade e pertencimento, evidenciando o papel fundamental dos povos indígenas e afrodescendentes na construção da cultura piauiense.