
O Piauí apresentou, em 2022, o segundo menor salário médio no setor cultural, além de possuir a menor proporção de empresas culturais em todo o país, conforme dados do Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O rendimento médio mensal dos trabalhadores assalariados na área cultural no estado alcançou R$ 1.871, valor inferior apenas ao do Amapá, que ficou em R$ 1.665. Em comparação, a média nacional é bem mais expressiva, alcançando R$ 4.624, ou seja, mais que o dobro do valor piauiense. Os estados com maior remuneração no setor foram São Paulo (R$ 6.356), Rio de Janeiro (R$ 5.345) e Distrito Federal (R$ 5.119).
No que diz respeito à presença de empresas culturais, o Piauí detinha 5.178 unidades locais, incluindo matrizes e filiais, que correspondiam a apenas 4,9% do total de empresas no estado, o menor percentual registrado no Brasil. No cenário nacional, as unidades culturais chegaram a 695,2 mil, representando 6,6% das empresas em todas as atividades econômicas. O Distrito Federal lidera com 9%, seguido pelo Rio de Janeiro com 8,7% e São Paulo com 7,1%. Além do Piauí, estados como Pará (4,9%) e Acre (5,1%) mostraram menores índices.
Quanto ao mercado de trabalho, o Piauí tinha em 2022 cerca de 12.751 assalariados empregados no setor cultural, o que representa 2,7% do total de trabalhadores do estado, sendo essa a segunda maior participação percentual no Nordeste, atrás apenas do Ceará, que registrou 3,2%. No Brasil, o setor cultural empregava aproximadamente 1,74 milhão de assalariados, correspondendo a 3,5% do total nacional. Os maiores percentuais de empregados nessa área ficaram por conta do Amazonas (6,1%), São Paulo (4,6%) e Distrito Federal (3,9%), enquanto os menores índices foram observados no Acre (1,4%), Tocantins (1,5%) e Alagoas (1,7%). No ranking nacional, o Piauí ocupa a 10ª posição.
A informalidade no setor cultural piauiense também é expressiva, com 59,7% dos trabalhadores atuando na informalidade em 2024, índice que é o sétimo maior do país e bem acima da média nacional, que é de 44,6%. Roraima e Pará lideram a informalidade com 76,9% e 74,1%, respectivamente, enquanto Rio Grande do Sul e Santa Catarina apresentam os menores índices, com 32,6% e 30%. A maioria dos trabalhadores na cultura no Piauí é formada por mulheres, que representam 51,7% do total, e pessoas pardas, que somam 55,5%. Quanto à escolaridade, metade dos trabalhadores possuem ensino médio completo ou superior incompleto, e 22,8% têm ensino superior completo.
Interessante observar que, em 2022, apesar de existirem 39.153 piauienses com ensino superior em áreas da cultura, apenas 3.451 atuavam no setor, sendo este o quinto menor percentual no Brasil, equivalente a 8,8%. Enquanto isso, dentro do setor cultural, 65% dos 9.847 trabalhadores com diploma superior não são formados em áreas relacionadas à cultura, o que representa o oitavo maior índice entre os estados brasileiros. Essas informações evidenciam desafios tanto na remuneração quanto no desenvolvimento e no estímulo ao setor cultural no Piauí, que apresenta indicadores inferiores à média nacional e a maioria dos estados brasileiros.