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Preço dos ovos de Páscoa sobe seis vezes mais que a inflação em 2026
19 de fevereiro de 2026 / 10:53
Foto: Divulgação

Os preços dos ovos de chocolate nas gôndolas surpreendem os consumidores neste ano de Páscoa, pois aumentaram muito além da inflação. Segundo dados do IBGE, o reajuste nos últimos 12 meses foi de 24,77%, valor seis vezes superior ao índice inflacionário do período. O principal responsável por essa alta é o custo da matéria-prima, o cacau. Entre 2023 e 2024, eventos climáticos adversos prejudicaram a produção em grandes países produtores, afetando o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado mundial. Isso elevou as cotações do cacau, elevando os preços nas indústrias de chocolate e, consequentemente, ao consumidor final.

Apesar de uma recente redução no preço internacional do cacau, que atualmente varia entre US$ 3 mil e US$ 5 mil por tonelada nas bolsas de Nova York, os estoques das indústrias ainda refletem valores previamente adquiridos, mantendo os ovos de Páscoa mais caros nos supermercados.

No Brasil, a indústria do chocolate depende significativamente da importação de amêndoas de cacau, deixando-a vulnerável às flutuações dos preços internacionais. Apesar de um cenário menos crítico que nos anos anteriores, produtores e fabricantes encaram 2026 com cautela, pois o aumento dos custos ao longo da cadeia produtiva e as restrições na oferta do cacau indicam que os ovos de chocolate deverão continuar com preços elevados nesta Páscoa, mesmo considerando algumas melhorias nos preços da matéria-prima.

O mercado global de chocolate vive mais uma fase de alta nos preços, reflexo do aumento significativo do valor do cacau nos últimos anos, com cotações em patamares historicamente altos. A expectativa de melhora na oferta deve surgir somente a partir da Páscoa de 2026, de acordo com especialistas consultados.

O cacau atingiu níveis recordes desde 2023, motivados por condições climáticas desfavoráveis, surtos de doenças e restrição na oferta especialmente na África Ocidental, que é responsável por cerca de 75% da produção global. No fim de 2024, os preços bateram recordes históricos, com contratos futuros na faixa de US$ 8 mil a US$ 9 mil por tonelada, muito acima dos US$ 2,3 mil registrados três anos atrás. Executivos do setor afirmam que é improvável que o preço volte aos níveis anteriores.

Além disso, o aumento significativo dos preços nos últimos dois anos elevou os custos de produção e comprimiram as margens das empresas, já que o repasse aos consumidores ocorre com atraso. Mercado enfrenta um “efeito hangover”, em que os preços elevados persistem devido à continuidade do déficit e à queda na disponibilidade do cacau. Mesmo com projeções de novas plantações amadurecendo no Equador e no Brasil, espera-se que os preços se mantenham estruturalmente elevados, em torno de US$ 6 mil por tonelada, devido a desafios de produtividade e investimentos insuficientes em grandes países produtores.

No contexto brasileiro, a penetração do chocolate nos lares aumentou de 85,5% em 2020 para 92,9% em 2024, com um consumo médio per capita de 3,9 kg ao ano, o maior em cinco anos. Apesar da alta nos preços dos ovos de Páscoa, o interesse dos consumidores permanece significativo, indicando que a demanda por chocolate segue firme mesmo diante do cenário desafiador do mercado global de cacau.

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