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Preocupação excessiva com o peso afeta a saúde mental de jovens
11 de março de 2026 / 17:18
Foto: Divulgação

Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Warwick, no Reino Unido, revelou que a preocupação excessiva com o peso e a aparência física pode gerar impactos negativos na saúde mental de adolescentes. O estudo indica que jovens com peso considerado adequado, mas que mantêm controle rígido da alimentação e da prática de exercícios físicos, apresentam maior probabilidade de desenvolver ansiedade, depressão e sofrimento psicológico na fase adulta.

Os resultados foram publicados na revista científica Current Psychology e baseiam-se em dados do Millennium Cohort Study (MCS), uma extensa pesquisa longitudinal que acompanha milhares de jovens britânicos desde a infância.

Como o estudo foi realizado

A análise utilizou informações coletadas em duas etapas do estudo:

  • 2018–2019: participação de 10.625 adolescentes de 17 anos na chamada Onda 7 do MCS;
  • 2021: nova coleta de dados, já durante a pandemia de COVID-19, quando os participantes tinham cerca de 20 anos.

Os jovens responderam questionários sobre peso corporal, hábitos alimentares, prática de exercícios físicos, saúde mental e bem-estar. A partir dessas respostas, os pesquisadores identificaram quatro perfis comportamentais relacionados ao controle de peso.

Principais resultados

Entre os diferentes perfis analisados, o grupo que apresentou melhores indicadores de saúde mental foi composto por adolescentes que:

  • tinham peso considerado normal
  • não faziam dietas
  • não praticavam exercícios com objetivo específico de emagrecer

Em contraste, os jovens que estavam com sobrepeso, baixo peso ou peso normal, mas submetidos a dietas e exercícios rígidos, demonstraram piores resultados psicológicos aos 20 anos, incluindo níveis mais elevados de ansiedade e sintomas depressivos.

Pressão estética e sofrimento psicológico

O estudo também destaca o papel da pressão estética na saúde mental dos jovens. Mesmo adolescentes com peso dentro dos padrões considerados saudáveis relataram:

  • críticas à aparência;
  • comparações constantes com outras pessoas;
  • forte pressão social para manter determinado padrão corporal.

Esse ambiente de cobrança está associado a maiores níveis de ansiedade, sintomas depressivos e sofrimento psicológico.

Além disso, os pesquisadores identificaram maior presença do traço de personalidade conhecido como Neuroticismo entre jovens com maior obsessão pela aparência. Esse traço está relacionado à tendência a emoções negativas, preocupação excessiva e maior vulnerabilidade ao estresse.

Diferenças entre meninos e meninas

A pesquisa também observou que meninas e mulheres jovens apresentam maior vulnerabilidade às preocupações com a aparência. Fatores como:

  • padrões culturais de beleza;
  • comparações sociais;
  • influência das redes sociais;

podem intensificar a pressão estética nesse grupo.

Quando o cuidado com o corpo deixa de ser saudável

Segundo a psicóloga Patrícia Cristina Gomes, especialista em transtornos alimentares citada na análise, alimentação equilibrada e exercícios físicos são benéficos quando fazem parte de um estilo de vida saudável. O problema surge quando esses comportamentos passam a ser motivados por:

  • medo constante de engordar;
  • insatisfação intensa com o corpo;
  • necessidade de atender padrões estéticos rígidos.

Nesses casos, o cuidado com o corpo pode se transformar em um mecanismo para lidar com ansiedade, baixa autoestima ou pressão social.

Sinais de alerta

Especialistas apontam alguns comportamentos que podem indicar sofrimento psicológico ligado à imagem corporal:

  • mudanças bruscas na alimentação;
  • sentimento de culpa após comer;
  • prática compulsiva de exercícios;
  • insatisfação constante com o próprio corpo.

Estratégias de apoio

Para ajudar adolescentes e jovens adultos, especialistas recomendam medidas como:

  • terapia cognitivo-comportamental;
  • apoio familiar e acompanhamento psicológico;
  • incentivo a hábitos saudáveis sem foco exclusivo no peso.

Essas estratégias buscam promover uma relação mais equilibrada com o corpo, a alimentação e a atividade física, contribuindo para prevenir transtornos mentais e melhorar a qualidade de vida.

Assim, a pesquisa reforça que a preocupação excessiva com a aparência pode se tornar um fator de risco importante para a saúde mental dos jovens, destacando a necessidade de atenção de famílias, educadores e profissionais de saúde diante desse cenário.

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