
O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, representa um momento importante para refletir sobre os avanços e os desafios na busca por equidade de gênero, especialmente no mercado de trabalho. Nos últimos anos, a presença feminina em diversos setores da economia brasileira tem crescido de forma significativa, contribuindo para transformações culturais, inovação e o surgimento de novas lideranças.
Áreas como construção civil, transporte, empreendedorismo e mercado imobiliário, tradicionalmente dominadas por homens, têm registrado maior participação feminina. Essa expansão demonstra que as mulheres estão ocupando espaços cada vez mais relevantes na economia, ainda que enfrentem obstáculos estruturais como desigualdade de oportunidades, informalidade e a necessidade constante de conciliar responsabilidades profissionais e familiares.
De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego, entre 2023 e 2025, o número de mulheres empregadas no Brasil passou de 7,2 milhões para 8 milhões, evidenciando um crescimento significativo da participação feminina no mercado de trabalho. Esse avanço não se reflete apenas em números, mas também em mudanças nas organizações, que passaram a valorizar mais a diversidade, a inovação e modelos de gestão inclusivos impulsionados pelo protagonismo feminino.
Setores historicamente masculinos apresentam mudanças importantes. Na engenharia, por exemplo, as mulheres já representam cerca de 25% dos profissionais no Brasil. No estado da Paraíba, líderes femininas destacam a superação de barreiras e reconhecem que, embora ainda haja desafios, os avanços rumo à equidade são cada vez mais visíveis.
No setor de transporte rodoviário de cargas, a participação feminina também vem aumentando e é considerada fundamental para acompanhar a expansão da atividade. Especialistas em gestão de pessoas ressaltam que o papel das empresas é essencial nesse processo, por meio da implementação de políticas de equidade, capacitação e inclusão, que contribuem para ambientes de trabalho mais produtivos e inovadores.
A construção civil é outro exemplo de transformação. Desde 2006, o número de mulheres com carteira assinada no setor cresceu cerca de 184%, e em 2024 mais de 20% das novas vagas formais foram ocupadas por trabalhadoras. Histórias como a da profissional Jacylene Araújo ilustram a trajetória de mulheres que conquistaram espaço nesse segmento, enfrentando desafios e contribuindo para mudar a realidade da área.
No campo do empreendedorismo, os números também demonstram força feminina. Na Paraíba, existem aproximadamente 160 mil mulheres empreendedoras, o que representa cerca de 35% dos empreendedores do estado. Muitas delas são chefes de família e acumulam diversas responsabilidades. Empresárias destacam que empreender exige organização, planejamento e resiliência, mas ressaltam que o crescimento do empreendedorismo feminino tem impacto positivo nas comunidades e na economia local.
Entretanto, ainda existem desafios importantes. Um deles é a informalidade, que atinge cerca de 70,5% dos negócios liderados por mulheres na Paraíba, dificultando o acesso a crédito, capacitação e segurança financeira.
O mercado imobiliário também acompanha essa tendência de crescimento feminino. Atualmente, cerca de 40% dos profissionais do setor são mulheres, muitas com experiência consolidada e atuação destacada. Ainda assim, questões como estabilidade financeira e reconhecimento profissional continuam sendo desafios relatados por muitas profissionais.
Outro fator que tem impulsionado a presença feminina nesses setores é o uso crescente da tecnologia. Ferramentas digitais e redes sociais passaram a desempenhar papel essencial na divulgação de serviços, relacionamento com clientes e fortalecimento da presença profissional no mercado.
Assim, o 8 de março não representa apenas uma data comemorativa, mas um momento de reflexão sobre os avanços conquistados e os desafios que ainda precisam ser superados. A ampliação da presença feminina em diferentes setores da economia brasileira mostra que as mulheres seguem transformando o mercado de trabalho. No entanto, para que esse avanço continue, é fundamental investir em políticas estruturadas, igualdade de oportunidades e mudanças culturais, garantindo um ambiente profissional cada vez mais diverso, inclusivo e equitativo.