
O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é um momento importante para refletir sobre as conquistas e os desafios enfrentados pelas mulheres no mercado de trabalho, especialmente na construção civil. Embora essa data seja um marco, lideranças e especialistas ressaltam a necessidade de ampliar o debate para além do mês de março, tornando a discussão sobre igualdade de gênero uma pauta permanente ao longo do ano.
No Brasil, as mulheres já representam cerca de 40% dos profissionais no mercado imobiliário, segundo dados da Associação Brasileira do Mercado Imobiliário (ABMI). Entretanto, os desafios continuam presentes, como revela pesquisa realizada com 562 corretoras de imóveis em todo o país, onde 69,5% das entrevistadas afirmam não se sentir totalmente seguras financeiramente e 54% já sofreram algum tipo de desvalorização por gênero.
Na engenharia, apesar de representarem apenas 25% dos profissionais, a participação feminina na construção civil tem crescido significativamente. De acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2023, houve um aumento de 184% no número de mulheres com carteira assinada nesse setor desde 2006. Em 2024, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) registrou que 20,2% das 110.921 vagas formais criadas na construção civil foram ocupadas por mulheres.
Cida Medeiros, CEO da Delta Engenharia, destaca que essa evolução reflete uma mudança cultural gradual no setor, mas ressalta que o caminho para a igualdade ainda é longo. Sua trajetória começou na juventude, quando se interessou pela engenharia em uma escola técnica, motivada pelo desejo de participar de projetos que impactassem positivamente a sociedade. Para Cida, a Paraíba teve papel fundamental no seu desenvolvimento profissional e acolhe mulheres que buscam espaço em diferentes áreas.
Ela também aponta que as mulheres enfrentam desafios adicionais devido à desigualdade de gênero, especialmente na construção civil, onde o preconceito pode afetar a valorização e percepção das profissionais. Superar tais barreiras exige consciência e disposição para questionar comportamentos discriminatórios.
À frente da Delta Engenharia, que emprega centenas de pessoas e realiza projetos de grande porte, Cida acredita que a identificação com a gestão e desafios complexos foi crucial para sua liderança. Apesar dos avanços, ela observa que ainda existem situações em que mulheres precisam provar sua competência com mais intensidade e enfrentam comentários machistas, evidenciando preconceitos arraigados.
A presença feminina nos canteiros de obras também tem aumentado. Atualmente a Delta Engenharia conta com cerca de 60 mulheres atuando diretamente nos canteiros e uma maioria feminina no quadro administrativo. Para a CEO, a participação das mulheres eleva a qualidade do trabalho, trazendo mais autonomia, independência e dignidade às profissionais.
Além disso, Cida Medeiros explica que a entrada das mulheres na mão de obra direta foi um projeto realizado com perseverança ao longo dos anos, concretizado recentemente pela empresa. A expansão feminina tem promovido uma cultura organizacional mais humanizada, influenciando positivamente a gestão das equipes.
Para a executiva, o crescimento da presença feminina depende também de mudanças estruturais na sociedade, incluindo maior participação em áreas como a política. Ela reforça que a igualdade de gênero deve ser uma pauta discutida continuamente, pois ainda há muitos desafios sociais, como a violência contra mulheres e crianças.
Olhar para o futuro, segundo Cida, implica reconhecer o potencial das mulheres e não permitir que o gênero limite seus objetivos. A modernização dos processos produtivos e a criação de ambientes mais inclusivos prometem ampliar ainda mais a participação feminina na construção civil. “O respeito não pode existir apenas no dia 8 de março. Ele precisa existir todos os dias”, conclui a CEO.