
Cecília Noêmi, aos 33 anos, se tornou a primeira aluna com síndrome de Down a se formar na Universidade Regional do Cariri (Urca), no Ceará. Em março, ela concluiu o curso de Artes Visuais, representando um marco importante para a educação inclusiva na região. A jovem contou com o apoio fundamental da família e a acolhida da universidade para superar os desafios e alcançar essa conquista. Desde a adolescência, Cecília demonstrava interesse pelas artes, explorando linguagens como pintura e dança, o que a motivou a ingressar no ensino superior para aprofundar seu conhecimento e expressar sua criatividade.
Socorro Lima, mãe de Cecília, destaca que desde a infância a filha recebeu acompanhamento especializado, incluindo terapia ocupacional, fisioterapia e fonoaudiologia, o que contribuiu para seu desenvolvimento físico e intelectual. A família mora no município do Crato, onde as obras artísticas produzidas por Cecília, inspiradas em seu ambiente familiar, são exibidas nas paredes da casa, simbolizando todo o percurso da jovem.
No contexto nacional, dados do IBGE de 2022 apontam que 63,1% das pessoas com deficiência com 25 anos ou mais não completaram o ensino fundamental. Já no ensino superior, apenas 7,4% dessas pessoas conseguiram finalizar seus estudos, enquanto o percentual entre pessoas sem deficiência é de 19,5%. Cecília acessou a universidade por meio das vagas reservadas às pessoas com deficiência, previstas pela Lei de Cotas, o que facilitou sua entrada e combateu a discriminação antes enfrentada.
Além do suporte familiar, a Universidade Regional do Cariri ofereceu acompanhamento pelo Núcleo de Acessibilidade (Nuarc), formado por uma equipe multidisciplinar que auxilia desde o início da trajetória acadêmica. De acordo com a vice-reitora Socorro Vieira, o Núcleo trabalha para diminuir barreiras e promover um ambiente educacional inclusivo para todos. Ela reforça que o ensino superior é um direito de todos, independentemente de limitações, e que o acompanhamento adequado permite a plena realização acadêmica e profissional.
A colação de grau de Cecília é um motivo de orgulho para a instituição e a família. O pai de Cecília, Jorge Carvalho, aproveita para incentivar que outras famílias apoiem os sonhos e o desenvolvimento de pessoas com deficiência intelectual, incentivando oportunidades e inclusão social. A história de Cecília é um exemplo inspirador da importância da educação inclusiva e do reconhecimento das capacidades de todos os estudantes.