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Primeiro voo comercial de foguete no Brasil impulsiona mercado espacial nordestino
13 de dezembro de 2025 / 11:02
Foto: Divulgação

O Brasil está prestes a atingir um marco significativo na indústria aeroespacial com o primeiro voo comercial de foguete a partir de seu território, programado para 17 de dezembro na Base de Alcântara, localizada no Maranhão. Esta missão promete inserir o país na rota do competitivo mercado global de lançamentos espaciais, considerado estratégico.

O lançamento será realizado utilizando o foguete HANBIT-Nano, desenvolvido pela empresa sul-coreana Innospace, marcando a estreia da coordenação brasileira em uma missão comercial para colocar satélites em órbita. Essa operação é liderada pela Força Aérea Brasileira (FAB) e pela Agência Espacial Brasileira (AEB).

Este evento também representa a primeira tentativa de lançamento orbital na Base de Alcântara desde o trágico acidente envolvendo o Veículo Lançador de Satélites (VLS), em 2003, que resultou na morte de 21 pessoas. Antes disso, os lançamentos realizados no Brasil foram apenas suborbitais, em que os foguetes não permanecem em órbita.

Chamado de missão Spaceward, o voo transportará cinco satélites e três dispositivos de pesquisa desenvolvidos por instituições brasileiras e indianas, que abrigam aplicações em diversas áreas científicas.

De acordo com o coronel-aviador Clovis Martins de Souza, diretor do Centro de Lançamento de Alcântara, esse lançamento é um divisor de águas para o Brasil. Ele destaca que se trata do primeiro voo comercial partindo do país, abrindo caminho para a inserção brasileira no mercado de lançamentos espaciais e criando novas oportunidades para geração de renda e atração de investimentos.

A Base de Alcântara, inaugurada em 1983, é subutilizada apesar de oferecer vantagens competitivas, como localização próxima à Linha do Equador, condições climáticas previsíveis, maior eficiência energética para lançamentos e segurança, pois está afastada de rotas aéreas e marítimas, tornando-a atrativa para governos e empresas tecnológicas globais.

Visando explorar esse potencial econômico, o Brasil planeja monetizar o uso da base através do aluguel da infraestrutura e cobrança de taxas sobre os lançamentos. O presidente da AEB, Antonio Chamon, afirmou que a criação da Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil (Alada) reforça essa estratégia, já que a empresa será responsável pela intermediação dos contratos comerciais, tornando os serviços competitivos no mercado internacional.

No entanto, especialistas ressaltam que, embora os fatores naturais sejam importantes, não são suficientes para garantir a competitividade do Brasil. Júlio Shidara, presidente da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), salienta a necessidade de avanços em segurança jurídica, logística eficiente e redução de custos e prazos para atrair empresas estrangeiras ao país.

Detalhes do foguete HANBIT-Nano

O HANBIT-Nano possui 21,9 metros de altura, peso de 20 toneladas, diâmetro de 1,4 metro e pode atingir velocidade máxima de até 30 mil km/h, alcançando a órbita em aproximadamente três minutos.

O lançamento acontece em dois estágios: o primeiro estágio, que utiliza o motor híbrido HyPER, com combustível sólido e líquido, oferece controle de potência em tempo real e menor risco de explosão; o segundo estágio abriga os satélites e a coifa protetora responsável por inserir as cargas em órbita.

A operação poderá ser vista a olho nu em Alcântara e parte de São Luís, envolvendo cerca de 500 profissionais civis e militares. A janela de lançamento está aberta de 17 a 22 de dezembro, após adiamento da data inicial prevista para novembro.

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