
Uma equipe do hospital veterinário da Universidade Federal de Sergipe (UFS) desenvolveu um procedimento inovador com enxertos para a reconstrução de cascos de jabuti, que reduz os custos em até 90% em comparação a métodos tradicionais. Desde 2018, o uso de lâminas sintéticas tem sido aplicado com sucesso, conforme explica o professor do Departamento de Medicina Veterinária, Victor Fernando Santana. O primeiro caso tratado foi de um jabuti-piranga que teve a carapaça praticamente rachada após ser atropelado por um trator de cerca de três mil quilos, o que motivou os pesquisadores a buscar alternativas eficientes e acessíveis para atender tanto espécies adultas quanto jovens.
Além da significativa redução de custos, o material utilizado se destaca por sua flexibilidade, atoxicidade e impermeabilidade, características que ajudam a proteger a carapaça contra infecções. A equipe segue trabalhando no desenvolvimento de novas placas que possam incorporar medicamentos para acelerar o processo de cicatrização. O hospital veterinário da UFS também mantém parcerias com órgãos ambientais, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e a Administração Estadual do Meio Ambiente (ADEMA), que encaminham animais silvestres para tratamento.
Um caso emblemático é o da jabuti conhecida como “Rosinha”, que está em tratamento há aproximadamente três anos. Segundo o médico veterinário João Victor, Rosinha sofreu queimaduras de segundo grau, que resultaram na perda de placas córneas e ósseas da carapaça, expondo tecidos internos. O tratamento requer manutenções periódicas, geralmente a cada seis meses ou um ano, e o material utilizado no procedimento apresenta alta durabilidade e se adapta ao crescimento do animal.
Conforme o veterinário, o material oferece resistência ao dano físico sem comprometer a anatomia do casco, além de possuir baixo índice de rejeição pelo organismo do animal, tornando o procedimento economicamente viável. A técnica desenvolvida pela UFS já é compartilhada em congressos e publicações científicas, despertando o interesse de outras instituições e contribuindo para ampliar o tratamento de quelônios feridos em diversas regiões do país.