
A produção de etanol no Brasil deve crescer cerca de 16% na safra 2026/2027, alcançando aproximadamente 43 bilhões de litros, segundo projeções da consultoria Safras & Mercado. Esse avanço ocorre em um cenário marcado pela valorização do petróleo no mercado internacional e por mudanças na política de combustíveis no país.
A safra de cana-de-açúcar, iniciada em abril, tem previsão de crescimento mais moderado, estimado em 3,15%, totalizando 677,7 milhões de toneladas. Ainda assim, as usinas devem reduzir a produção de açúcar em mais de 7%, direcionando uma parcela maior da matéria-prima para a fabricação de etanol, acompanhando a demanda interna aquecida.
Um dos principais fatores para essa mudança é o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina, atualmente em 30%, com possibilidade de ampliação para até 35% até o fim do terceiro trimestre, conforme testes conduzidos pelo governo. Essa política reforça o papel estratégico do biocombustível na matriz energética brasileira.
No cenário externo, a alta no preço do petróleo — que subiu de cerca de US$ 70 para valores entre US$ 110 e US$ 120 por barril, influenciada por tensões no Oriente Médio — também contribui para tornar o etanol mais competitivo e relevante como alternativa energética.
De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, o preço médio do etanol no país ficou em R$ 4,72 por litro no final de março, apresentando menor volatilidade em comparação com gasolina e diesel no mesmo período. Esse comportamento reforça sua importância como instrumento de estabilidade de preços.
Especialistas apontam que a política de mistura de biocombustíveis ajuda a reduzir a dependência de combustíveis fósseis e a mitigar impactos de crises internacionais. Atualmente, o Brasil lidera globalmente na adição de etanol à gasolina, consolidando-se também como o segundo maior produtor mundial do biocombustível, atrás apenas dos Estados Unidos.
Além da produção a partir da cana-de-açúcar, o país vem ampliando o uso do milho como matéria-prima, o que contribui para manter a oferta ao longo do ano. Com uma frota superior a 40 milhões de veículos flex, o Brasil possui grande capacidade de adaptação às variações de preços entre gasolina e etanol, fortalecendo o papel desse biocombustível como uma solução estratégica diante da volatilidade do mercado global de energia.