
A indústria automotiva brasileira encerrou 2025 com um resultado positivo na produção de veículos, registrando um crescimento de 3,5% em relação ao ano anterior. De acordo com dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) nesta quarta-feira, dia 15, o país alcançou a marca de 2,64 milhões de unidades produzidas, considerando automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões. O desempenho reforça a relevância do Brasil no cenário global, mantendo o país entre os maiores fabricantes de veículos do mundo.
O avanço foi impulsionado, principalmente, pela produção de veículos leves, segmento que segue como o principal motor da indústria automotiva nacional. A recuperação gradual do consumo, a reorganização das cadeias produtivas e a maior estabilidade no fornecimento de insumos contribuíram para sustentar o crescimento ao longo do ano.
No mercado interno, os resultados também foram favoráveis. As vendas domésticas somaram 2,69 milhões de veículos em 2025, o que representa uma alta de 2,1% em relação a 2024. O crescimento das vendas reflete a resiliência do setor, mesmo diante de desafios como juros elevados, restrições de crédito e um cenário macroeconômico ainda marcado por cautela por parte dos consumidores.
Outro destaque relevante do ano foram as exportações, que apresentaram um salto expressivo de 32,1%, totalizando quase 529 mil veículos embarcados para o exterior. Esse crescimento indica a recuperação de mercados estratégicos, especialmente na América Latina, e reforça a importância da indústria automotiva brasileira no comércio internacional, tanto como geradora de divisas quanto como fator de competitividade industrial.
Apesar dos números positivos, a avaliação do setor é feita com prudência. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, afirmou que, embora houvesse expectativa de um desempenho ainda melhor, 2025 pode ser considerado um ano positivo, porém não excepcional, destacando que o setor ainda enfrenta desafios estruturais e conjunturais que limitam um crescimento mais acelerado.
No recorte mensal, os dados de dezembro mostraram um comportamento misto. Os emplacamentos registraram alta de 17,1% em relação a novembro e um crescimento de 8,5% na comparação com dezembro de 2024, somando 279,4 mil unidades. Esse resultado foi influenciado, sobretudo, pelo alto volume de estoques nas concessionárias, o que estimulou ações comerciais e impulsionou as vendas no fechamento do ano.
Por outro lado, as exportações em dezembro tiveram um desempenho negativo expressivo. Houve uma queda de 47,7% em relação a novembro e de 38,1% na comparação anual, com apenas 18,7 mil veículos exportados, configurando o pior resultado mensal desde abril de 2020. A retração reflete ajustes logísticos, redução temporária de demanda externa e o impacto do período de entressafra em alguns mercados compradores.
A produção também recuou no último mês do ano, com uma queda de 15,8% frente a novembro e de 3,9% em relação a dezembro de 2024, totalizando 184 mil veículos fabricados. Esse movimento é atribuído a ajustes sazonais, paradas programadas nas fábricas e à desaceleração natural do setor no fim do ano, comum no calendário industrial.
Mesmo com o desempenho mais fraco em dezembro, o balanço geral de 2025 evidencia uma indústria automotiva sólida e resiliente, capaz de crescer em produção, vendas internas e exportações. O resultado reafirma a importância estratégica do setor para a economia brasileira, tanto pela geração de empregos quanto pelo impacto na cadeia produtiva e na balança comercial, ao mesmo tempo em que aponta para a necessidade de políticas e condições que sustentem um crescimento mais robusto nos próximos anos.