
A produção de veículos no Brasil iniciou o ano de 2026 em ritmo mais fraco, registrando uma queda significativa de 12% em janeiro na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Ao todo, foram produzidas 159,6 mil unidades, considerando automóveis de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus. Os dados foram divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) no dia 6 de fevereiro e refletem um início de ano marcado por ajustes industriais e desaceleração sazonal.
Na comparação mensal, o recuo foi ainda mais acentuado: a produção caiu 13,5% em relação a dezembro de 2025. Segundo a Anfavea, esse comportamento já era esperado, uma vez que o início do ano costuma ser caracterizado por paradas técnicas, férias coletivas e ajustes nas linhas de montagem, fatores que reduzem temporariamente o volume produzido pelas montadoras.
Apesar do desempenho negativo no primeiro mês do ano, a entidade mantém uma visão otimista para o setor ao longo de 2026. A Anfavea projeta um crescimento de 3,7% na produção anual, o que pode levar o Brasil a encerrar o ano com aproximadamente 2,74 milhões de veículos produzidos. A expectativa é de que a atividade industrial ganhe tração nos próximos meses, impulsionada por novos lançamentos, normalização da produção e melhora gradual do ambiente econômico.
No mercado interno, as vendas de veículos em janeiro totalizaram 170,5 mil unidades, representando uma leve queda de 0,4% em relação ao mesmo período de 2025. Embora o resultado indique estabilidade na comparação anual, o desempenho mensal apresentou uma retração expressiva de 39% frente a dezembro. Esse comportamento é considerado típico para o início do ano, quando os consumidores enfrentam maior pressão sobre o orçamento doméstico, com despesas como impostos, material escolar e ajustes financeiros pós-festas.
No segmento externo, as exportações de veículos também apresentaram desempenho fraco na comparação anual. Em janeiro, foram embarcadas 25,9 mil unidades, uma queda de 18,3% em relação ao mesmo mês de 2025. No entanto, ao comparar com dezembro, houve uma recuperação expressiva de 38,3%, sinalizando uma retomada gradual das vendas externas após um encerramento de 2025 marcado por desempenho mais fraco e menor demanda em mercados tradicionais.
O mercado de trabalho do setor automotivo apresentou um sinal positivo. De acordo com a Anfavea, houve a abertura de 223 novas vagas nas montadoras em janeiro, elevando o total de trabalhadores empregados no setor para 109,9 mil pessoas. O resultado indica cautela das empresas, mas também demonstra confiança na recuperação gradual da atividade ao longo do ano, especialmente diante das projeções positivas para a produção.
De forma geral, o setor automotivo brasileiro inicia 2026 enfrentando desafios conjunturais, como a desaceleração sazonal, a cautela do consumidor e a volatilidade do comércio exterior. Ainda assim, as montadoras e entidades do setor apostam em uma recuperação progressiva ao longo dos próximos meses, sustentada por maior estabilidade econômica, renovação do portfólio de produtos, avanços tecnológicos e crescimento moderado do mercado interno.
Em síntese, embora o desempenho de janeiro revele um começo de ano mais fraco para a indústria automotiva, as perspectivas para 2026 seguem positivas. A expectativa é de que a produção de veículos volte a ganhar fôlego gradualmente, permitindo ao setor superar as dificuldades iniciais e avançar de forma consistente ao longo do ano.