
A produção industrial do Nordeste apresentou uma queda de 0,8% em 2025, o que contrasta com a média nacional, que teve avanço de 0,6% no mesmo período. De acordo com dados da Pesquisa Industrial Mensal — Produção Física Regional (PIM-PF), divulgada pelo IBGE em 10 de fevereiro de 2026, apenas a Bahia registrou crescimento no setor industrial na região, com um aumento modesto de 0,3%, abaixo da média nacional. Os demais estados nordestinos tiveram desempenhos negativos: Pernambuco recuou 3,8%, Ceará diminuiu 0,6%, Maranhão perdeu 5,1%, e o Rio Grande do Norte sofreu uma das maiores quedas do país, de 11,6%, ficando atrás apenas do Mato Grosso do Sul, que registrou queda de 12,9%.
O fenômeno representa uma interrupção na tendência positiva observada no Nordeste desde o quarto trimestre de 2023. Antes de dezembro de 2025, a taxa anualizada da região estava estável, com 0,0%, mas o desempenho negativo no último mês do ano, com recuo de 5,1% na série dessazonalizada e uma queda de 4,4% em relação a dezembro de 2024, levou o acumulado anual para números negativos. Essa deterioração também foi observada em estados específicos, como Bahia, que passou de uma taxa anualizada de 1,4% para 0,3%, e Pernambuco, que caiu de -3,2% para -3,8%.
Embora a Bahia tenha registrado crescimento no ano, o mês de dezembro marcou o pior resultado industrial do estado desde 2021, com uma queda de 10,1% em relação a novembro na série ajustada e uma retração de 9,2% comparada a dezembro de 2024. Essa queda eliminou o ganho acumulado de 3,4% dos meses anteriores e foi influenciada negativamente por setores como coque e derivados de petróleo, produtos químicos e máquinas e equipamentos elétricos.
Em dezembro, Pernambuco e Ceará mostraram sinais de melhora, com altas de 0,8% e 2,0%, respectivamente, na comparação mensal dessazonalizada, e crescimento acima da média nacional na comparação anual. Contudo, o Rio Grande do Norte continuou em baixa, influenciado pela redução na produção de óleo diesel e gasolina automotiva, com queda de 9,2% no mês.
No cenário nacional, 10 dos 18 locais pesquisados tiveram crescimento industrial, liderados pelo Espírito Santo (11,6%) e Rio de Janeiro (5,1%), impulsionados principalmente pelas indústrias extrativas. Estados como Santa Catarina, Goiás, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Pará também superaram a média nacional. Por outro lado, São Paulo, responsável por cerca de um terço da produção industrial brasileira, teve queda de 2,2%, pressionando negativamente a média do país.
O quarto trimestre de 2025 encerrou a sequência de crescimento do setor industrial iniciado em 2023, com recuo de 0,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior. No Nordeste, a queda foi de 0,6% no trimestre, refletindo uma desaceleração em estados como Bahia e São Paulo. Fatores como juros elevados e retração em segmentos ligados a derivados de petróleo e biocombustíveis influenciaram negativamente a produção industrial regional, configurando um cenário desafiador para a indústria no Nordeste ao final de 2025.