
A produção mundial de açúcar na safra 2025/26, iniciada em outubro, deve registrar uma diminuição de 2,3 milhões de toneladas métricas em relação às estimativas anteriores, alcançando um total de 184,4 milhões de toneladas. A redução é principalmente atribuída à queda na produção da Índia, que teve sua estimativa revisada de 32,8 milhões para 30,2 milhões de toneladas, conforme divulgado pela empresa de serviços de cadeia de suprimentos Czarnikow. Essa diminuição na produção indiana ocorre devido ao término antecipado da safra nos estados de Maharashtra e Karnataka.
A Czarnikow projeta ainda para a safra 2026/27, que também começará em outubro, uma produção global menor, estimada em 183,7 milhões de toneladas de açúcar. O consumo previsto para 2025/26 é de 177,7 milhões de toneladas, o que resultaria em um excedente de 6,7 milhões de toneladas no período. A empresa ressalta que, caso o fenômeno climático El Niño se intensifique, o Brasil, o maior produtor mundial de açúcar, poderá enfrentar dificuldades na colheita devido às chuvas excessivas.
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de cana-de-açúcar na safra 2025/26 deve alcançar 668,8 milhões de toneladas, apresentando uma redução de 1,2% em comparação com a temporada anterior. Embora a área de cultivo destinada à cana tenha aumentado 1%, para 8,85 milhões de hectares, a produtividade média nacional caiu 2,1%, passando de 77.223 para 75.575 quilos por hectare. Essa queda é influenciada por condições climáticas desfavoráveis, como irregularidade hídrica, excesso de temperaturas e focos de incêndio, particularmente na região Centro-Sul do país.
No Nordeste, a situação também é preocupante. O Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool no Estado da Paraíba (Sindalcool) informa que a produção de açúcar na Paraíba e em outros estados da região sofreu uma queda expressiva na safra 2025/2026. A moagem de cana caiu pouco mais de 7%, enquanto a produção de açúcar recuou cerca de 24%, resultado de fatores climáticos e econômicos que impactaram diretamente a rentabilidade dos produtores. Um ciclo climático irregular, com seca nas fases iniciais da cana e chuvas excessivas no período de colheita, comprometeu tanto o volume quanto a qualidade da matéria-prima.
Além disso, a redução da produção foi intensificada por decisões estratégicas das usinas, que enfrentam preços internacionais do açúcar em queda e incertezas no mercado. A perda do acesso a mercados preferenciais, como a cota americana, também dificultou a competitividade dos produtores locais, especialmente na Paraíba. Com isso, muitos projetos de expansão foram desacelerados, prejudicando investimentos futuros e podendo impactar a produtividade nas próximas safras.
Frente ao cenário de baixa rentabilidade do açúcar, as usinas têm optado por priorizar a produção de etanol, especialmente o anidro, que conta com demanda interna garantida pela política de mistura obrigatória com a gasolina. Essa estratégia visa manter a estabilidade financeira das usinas mesmo com a menor disponibilidade da matéria-prima, garantindo a continuidade das operações em um ambiente marcado por desafios climáticos e econômicos. Portanto, a retração na produção mundial de açúcar reflete tanto fatores naturais quanto decisões estratégicas do setor, que buscam equilibrar a oferta e a rentabilidade.