
Em Campo Largo do Piauí, os professores recebem salários superiores aos dos médicos locais, uma realidade que chama atenção no cenário educacional brasileiro. Desde janeiro, enquanto o piso salarial nacional do magistério foi fixado em R$ 5,1 mil, os docentes desse município já tinham como remuneração base cerca de R$ 8 mil, podendo chegar a quase R$ 13 mil com as gratificações, especialmente para aqueles que atuam nos anos finais e dedicam 40 horas semanais. Esses valores ultrapassam os salários de alguns médicos da região, que ganham aproximadamente R$ 11 mil, contrastando com a média nacional onde muitos municípios sequer pagam o piso do magistério, segundo o Anuário Brasileiro de Educação Básica 2025.
O município também investe em políticas educacionais que envolvem tempo integral para todos os alunos e oferece atividades extracurriculares como judô, balé e capoeira. Destaca-se o Projeto Crescer, que oferece aulas de judô para mais de 300 estudantes em parceria com o Instituto Sarah Menezes, fundado pela campeã olímpica no esporte. As atividades acontecem nos fins de semana e contam com o acompanhamento da própria Sarah Menezes, que busca identificar talentos para o esporte olímpico.
O prefeito Jairo Leitão, que foi professor de matemática até 2012, lidera o município na implementação dessas políticas desde 2023. Ele ressalta que o reajuste do piso nacional é aplicado aos salários locais, que já estão entre os mais altos do país para a categoria, e defende que seria possível garantir o pagamento do piso em todos os municípios se a valorização do professor fosse priorizada e os recursos para a educação fossem usados corretamente.
Especialistas apontam que, embora os salários sejam fundamentais para atrair e manter profissionais qualificados, é necessário também investir em formação continuada, melhores condições de trabalho e recursos pedagógicos para melhorar os resultados educacionais a médio e longo prazo. A taxa de escolarização em Campo Largo do Piauí é elevada, com 99,5% das crianças entre 6 e 14 anos na escola em 2022, porém os indicadores de desenvolvimento da educação ainda apresentam desafios.
Além disso, a dificuldade de muitas prefeituras em pagar o piso do magistério está relacionada ao modelo de financiamento da educação no país, que vincula os recursos à arrecadação municipal. Isso torna o sistema instável e prejudica a manutenção dos custos da educação, que tendem a crescer independentemente da arrecadação. O prefeito e especialistas defendem uma mudança para um financiamento baseado no custo aluno-qualidade para assegurar uma educação de qualidade de forma sustentável.