
A entrada em operação da Linha de Transmissão 500 kV Medeiros Neto II – João Neiva 2 C1 marcou um avanço significativo na retirada de restrições ao escoamento de energia renovável no extremo sul da Bahia. Com extensão de 283 km e investimento de R$ 480 milhões, este trecho finaliza o Projeto Morro do Chapéu, que compreende 1.061 km de linhas de transmissão e um total de R$ 2 bilhões investidos pela Neoenergia, sob concessão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O projeto integra ainda o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).
A autorização para iniciar a operação comercial foi concedida pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) em fevereiro de 2026, após testes realizados em março, oficializando a integração da infraestrutura ao Sistema Interligado Nacional (SIN). O anúncio oficial foi feito pela Casa Civil do governo federal em 6 de abril.
O trecho conecta a subestação Medeiros Neto II, localizada no extremo sul da Bahia, à subestação João Neiva 2, no Espírito Santo, completando um corredor que transporta energia gerada predominantemente por fontes renováveis no interior baiano até os principais centros consumidores do Sudeste. A obra acrescenta capacidade de 300 MVA ao SIN, viabilizada pela nova subestação Medeiros Neto II (500/230 kV) e por um compensador síncrono com capacidade de -180/300 MVAr instalado na mesma unidade.
O Projeto Morro do Chapéu foi conquistado pela Neoenergia em dezembro de 2020, durante o único leilão de transmissão daquele ano realizado pela Aneel. O projeto teve um deságio de 42,6% sobre a Receita Anual Permitida (RAP) máxima, que era de R$ 278,2 milhões, e fechou com uma RAP contratada de R$ 159,7 milhões. Na disputa, participaram 13 proponentes habilitados, incluindo State Grid e Consórcio Saturno.
O empreendimento foi dividido em cinco componentes. Dois deles, concluídos em 2024, formam o eixo baiano do corredor: a LT 500 kV Morro do Chapéu II – Poções III C1, com 359 km e 677 torres instaladas, e a LT 500 kV Poções III – Medeiros Neto II C1, com 329 km, ambas cruzando áreas de alta concentração de geração eólica e solar. Além disso, a LT 230 kV Medeiros Neto II – Teixeira de Freitas II, com 59 km, reforça a distribuição no sul da Bahia. No primeiro semestre de 2025, a Neoenergia investiu cerca de R$ 1,9 bilhão em obras de todos os lotes adquiridos em leilões.
O corredor criado pelo projeto atende a uma limitação operacional identificada pelo ONS: o rápido crescimento da capacidade instalada de geração eólica e solar no interior da Bahia, sem a correspondente expansão da malha de transmissão necessária para escoar essa energia. Sem essa infraestrutura, a energia gerada está sujeita a cortes operacionais, conhecidos como curtailment, quando a rede não suporta o fluxo produzido.
O lote do leilão foi estruturado para ampliar o fluxo de potência, reduzir riscos de instabilidade de tensão e evitar rejeições de carga no extremo sul da Bahia em casos de contingência. A operação do último trecho permite agora a conexão de novos projetos renováveis ao SIN na região, incluindo usinas eólicas no semiárido baiano e complexos solares em expansão no oeste do estado. A subestação Medeiros Neto II, equipada com um compensador síncrono, também desempenha papel crucial na estabilização da tensão em um ponto sensível da rede.
O contrato de concessão da Neoenergia para este projeto foi assinado em março de 2021, com um prazo de 30 anos. A empresa, controlada pelo grupo espanhol Iberdrola, que detém 83,8% das ações após adquirir a participação da Previ em setembro de 2025 e protocolou OPA para os 16,2% restantes em março de 2026, opera também a distribuição em Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Norte e Brasília, além de possuir ativos de geração e transmissão em todo o país.
Com a conclusão do Projeto Morro do Chapéu, a Neoenergia finaliza seu ciclo de investimentos em transmissão que incluía ainda os projetos Vale do Itajaí e Guanabara, fortalecendo o escoamento renovável no Nordeste e contribuindo para a expansão sustentável da matriz elétrica brasileira.