
O filme “O Agente Secreto” não conquistou nenhuma estatueta no Oscar, e a reação do público no Recife foi imediata. No Cinema São Luiz, localizado no Centro da cidade, onde a cerimônia era transmitida, os espectadores manifestaram sua insatisfação gritando “marmelada” em protesto contra os resultados anunciados. O local, que serviu de cenário para cenas do longa dirigido por Kleber Mendonça Filho, ganhou clima de festa com tapete vermelho, bonecos gigantes e elementos carnavalescos.
A assistente social Rosana França, de Olinda, expressou sua decepção ao final da cerimônia, reafirmando que não aceitaria o resultado. Ela afirmou que o filme foi o melhor e que a mobilização em prol da produção era grande, manifestando claramente seu descontentamento com a premiação.
Apesar de não ter conquistado o Oscar, “O Agente Secreto” teve quatro indicações: melhor seleção de elenco, melhor filme internacional, melhor ator, com Wagner Moura, e melhor filme. Para alguns, as nomeações por si só já são motivo de orgulho. A bibliotecária Roseane Souza de Mendonça, do Recife, destacou que o reconhecimento do filme já é uma grande conquista para Pernambuco. Vestida com a camisa do bloco carnavalesco Pitombeira dos Quatro Cantos, a mesma usada por Wagner Moura no filme, Roseane ressaltou a importância da união e do orgulho regional.
O evento no Recife começou às 18h30, com a transmissão da cerimônia pela TV em um telão ao ar livre e também dentro da sala principal do São Luiz. A programação contou ainda com cortejo do bloco Pitombeira dos Quatro Cantos, banda de pífano e os grande bonecos dos protagonistas Wagner Moura, Kleber Mendonça Filho e Tânia Maria.
Integrantes do elenco, como Hermila Guedes, Kaiony Venâncio e Nivaldo Nascimento, marcaram presença e compartilharam suas emoções. Hermila relembrou seus primeiros passos no cinema pernambucano, enquanto Kaiony destacou a mudança que o papel representou em sua vida. Nivaldo ressaltou a importância da celebração da arte e do talento nordestino perante o mundo.
A governadora Raquel Lyra e a vice Priscila Krause também participaram do evento. Raquel enfatizou o orgulho em celebrar os artistas e profissionais envolvidos na produção, mencionando, inclusive, as interrupções nas obras para que o cinema pudesse ser utilizado como cenário do filme, que representa não só Pernambuco, mas todo o Nordeste e o Brasil.