
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (25), revelou um dado preocupante sobre o ambiente escolar no Piauí: 41,8% dos estudantes entre 13 e 17 anos afirmaram já ter sofrido bullying em algum momento da vida. O número representa um aumento de 2,2 pontos percentuais em relação à edição de 2019, quando o índice era de 39,6%.
Realizada em parceria com o Ministério da Saúde e com apoio do Ministério da Educação, a pesquisa abrange uma população estimada em mais de 12,3 milhões de estudantes matriculados em escolas públicas e privadas de todo o Brasil. O levantamento é uma das principais fontes de dados sobre saúde e comportamento de adolescentes no país.
Entre os principais motivos apontados pelos estudantes piauienses para a ocorrência de bullying, destacam-se características relacionadas à aparência física. A aparência do rosto ou do cabelo lidera as causas, sendo citada por 29,8% dos entrevistados, seguida pela aparência do corpo, com 20,7%. Questões raciais também aparecem de forma relevante, com 13,2% dos jovens relatando discriminação por cor ou raça.
Outros fatores mencionados incluem o sotaque ou a forma de falar (10,8%), além de elementos ligados ao consumo e à condição social, como roupas, calçados, mochila ou material escolar (9%). Motivações relacionadas à religião (5,8%), identidade de gênero ou orientação sexual (5,5%) e deficiência (3,3%) também foram registradas, evidenciando a diversidade de situações que podem desencadear esse tipo de violência. Um dado que chama atenção é que 35,5% dos estudantes relataram outras razões não especificadas, o que indica a complexidade e a amplitude do problema.
No ambiente virtual, o chamado cyberbullying apresenta menor incidência, mas ainda é significativo: 13,8% dos estudantes do Piauí afirmaram ter recebido ofensas ou ameaças por meio de redes sociais. Nesse recorte, a diferença entre gêneros é pequena, com 14% das meninas e 13,6% dos meninos relatando esse tipo de გამოცდილ.
Em comparação ao cenário nacional, o Piauí apresenta índice ligeiramente superior. Em todo o país, 40,3% dos estudantes disseram já ter sido humilhados por colegas, número próximo, mas inferior ao registrado no estado.
Os dados reforçam que o bullying continua sendo um problema estrutural no ambiente escolar, com impactos diretos no bem-estar emocional, no desempenho acadêmico e na saúde mental dos ახალგაზრდ. Especialistas apontam a necessidade de políticas públicas mais efetivas, além de ações contínuas nas escolas, como programas de conscientização, apoio psicológico e promoção da cultura de respeito às diferenças.
Diante desse cenário, a pesquisa evidencia a urgência de iniciativas que garantam um ambiente escolar mais seguro, acolhedor e inclusivo, onde todos os estudantes possam desenvolver seu potencial sem medo de discriminação ou violência.