
O dólar fechou esta terça-feira cotado a R$ 4,912, marcando o menor valor em mais de dois anos, com uma queda de 1,12% ao longo do dia. Essa movimentação fortalece o real como a moeda com melhor desempenho frente ao dólar entre as principais divisas negociadas globalmente em 2026.
No acumulado do ano, o real registra uma valorização de 10,5% frente ao dólar, posicionando-se no topo do ranking entre 31 moedas líquidas monitoradas pelo mercado internacional.
Enquanto isso, no cenário internacional, o índice DXY, que avalia o desempenho do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes, manteve-se estável, com uma leve alta de 0,02%. Isso indica que a valorização do real possui um forte componente doméstico, sem grandes influências externas recentes.
Na Bolsa brasileira, o Ibovespa também teve um dia positivo, avançando 0,69% e recuperando parte das recentes perdas. Esse desempenho foi impulsionado principalmente pela queda no preço do petróleo, que ameniza pressões inflacionárias e melhora o apetite dos investidores por risco.
A diminuição do valor do barril no mercado internacional fomentou o interesse por ativos de mercados emergentes, atraindo capital estrangeiro para a B3. Esse fluxo é um dos principais fatores que impulsionam a valorização da moeda brasileira.
O petróleo Brent recuou 3,7%, encerrando o dia cotado a US$ 110,10 por barril. Por se tratar de um importante produto de exportação para o Brasil, a baixa no preço do petróleo traz um impacto direto no câmbio, contribuindo para o aumento da entrada de dólares no país.
Além disso, a política monetária brasileira permanece como um elemento determinante para o cenário cambial. A taxa Selic está mantida em um nível elevado, atualmente em 14,5%, atraindo investidores internacionais, especialmente por meio de operações de carry trade, que exploram a diferença de juros entre países.
Nesse tipo de estratégia, recursos são captados em países com juros baixos e aplicados em economias como o Brasil, que possuem taxas elevadas, elevando a demanda pelo real.
O mercado entende que o ambiente global mais propício a ativos de risco, aliado à expectativa de juros altos por mais tempo no Brasil, sustenta o desempenho positivo do real, mesmo com as incertezas geopolíticas ainda vigentes no cenário internacional.