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Recompra da refinaria na Bahia gera novo debate sobre política de combustíveis
9 de abril de 2026 / 13:44
Foto: Divulgação

A Petrobras está novamente no centro das discussões do setor energético ao confirmar que avalia a recompra da Refinaria de Mataripe, situada na Bahia. Conhecida como Refinaria Landulpho Alves (RLAM), a unidade foi privatizada em 2021 e atualmente é controlada pela empresa Acelen, pertencente ao fundo Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos.

O interesse na recompra ganhou força após declarações do presidente Lula, que expressou a intenção de retomar o controle da refinaria. Em resposta à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Petrobras confirmou que o assunto está em análise, mas frisou que nenhuma decisão definitiva foi tomada até o momento. A estatal informou que qualquer aquisição será embasada em critérios técnicos, econômicos e de governança, sem fatos novos que impulsionem uma negociação imediata.

A refinaria é um ativo estratégico fundamental para o abastecimento do Norte e Nordeste, sendo responsável por aproximadamente 14% da capacidade nacional de refino, com uma produção diária de cerca de 300 mil barris. Ela produz derivados essenciais, como diesel, gasolina, gás de cozinha e querosene de aviação, o que torna sua operação crucial para a logística de combustíveis nessas regiões. Especialistas ressaltam que, desde a privatização, houve uma alteração na política de preços, aproximando-os do mercado internacional, o que tem sido alvo de críticas, sobretudo durante períodos de alta do petróleo e do dólar.

Apesar do apelo político e estratégico, a negociação ainda está em fase inicial. A Petrobras já sinalizava anteriormente o interesse em oportunidades no refino, incluindo a possibilidade de adquirir participação ou firmar parcerias com o atual controlador, Mubadala. Há registros recentes de estudos e negociações entre as partes, envolvendo modelos de gestão conjunta e projetos no segmento de biorrefino.

Esse possível movimento reacende o debate sobre o papel da Petrobras no refino nacional e a política energética do país. Durante o processo de privatizações iniciado no governo anterior, a venda das refinarias foi defendida como forma de estimular a concorrência no setor. Contudo, críticos argumentam que isso resultou na criação de mercados regionais concentrados, influenciando diretamente no preço dos combustíveis para o consumidor final.

Para o governo, a retomada da refinaria baiana pela Petrobras representa uma estratégia para fortalecer o controle sobre a produção e distribuição de combustíveis, principalmente em regiões estratégicas como o Nordeste. O desenrolar dessa situação depende de estudos aprofundados de viabilidade econômica e negociações diretas com o atual controlador. Enquanto isso, a Petrobras mantém uma postura cautelosa, indicando interesse, porém, sem uma decisão final tomada, o que pode prolongar o processo.

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