
O Ceará tem apresentado uma queda expressiva na mortalidade infantil, resultado direto da implementação de políticas públicas focadas em fortalecer a Atenção Primária à Saúde. Essas medidas proporcionam melhorias significativas no cuidado materno-infantil em todo o estado.
Uma das iniciativas centrais é o projeto De Braços Abertos, lançado em 2024 pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). O programa visa organizar, qualificar e ampliar o acesso aos serviços de saúde, com ênfase no cuidado integral desde o pré-natal até os primeiros meses de vida da criança. Essa estratégia tem sido fundamental para reduzir os óbitos infantis evitáveis.
O projeto estruturalmente atua em três eixos principais: a educação contínua dos profissionais de saúde, a planificação da atenção à saúde e a articulação regional da Atenção Primária. Para Sheila Santiago, orientadora da Célula de Atenção Primária e Promoção da Saúde da Sesa, o fortalecimento do pré-natal é essencial para a detecção precoce de riscos gestacionais e para garantir um cuidado qualificado durante o parto e aos recém-nascidos.
A Sesa esclarece que a mortalidade infantil é classificada em três categorias conforme a idade da criança no momento do óbito: neonatal precoce (0 a 6 dias), neonatal tardia (7 a 27 dias) e pós-neonatal (28 a 364 dias). Essa divisão permite que as políticas públicas sejam direcionadas para as causas específicas de cada fase do desenvolvimento infantil.
Ao analisar os dados referentes ao período de 2011 a 2024, observa-se uma tendência de redução expressiva em dois componentes da mortalidade infantil no Ceará. Em especial, a mortalidade neonatal precoce apresentou redução de 19,4%, enquanto a pós-neonatal caiu 16,2%. Já a taxa da mortalidade neonatal tardia manteve-se estável durante esse intervalo.
Essa melhora nos índices evidencia a importância do cuidado qualificado durante o pré-natal, no parto e no acompanhamento da criança após o nascimento, reforçando o impacto positivo das ações em Atenção Primária. O Ceará também apresenta diferenças regionais nas taxas, com o Cariri registrando a menor taxa de mortalidade infantil, 9,8 por mil nascidos vivos em 2024, e o Litoral Leste com a maior, 12,5 por mil nascidos vivos.
Essas disparidades regionais indicam a necessidade de estratégias específicas para cada localidade, assim como o fortalecimento da articulação entre os serviços de saúde. O Plano Estadual de Saúde estabelece a meta de reduzir a mortalidade infantil para 9,5 óbitos por mil nascidos vivos até 2027, destacando a importância da continuidade e ampliação de projetos como o De Braços Abertos para alcançar esse objetivo.
Com foco na prevenção, cuidado integral e qualificação da Atenção Primária, o Ceará busca consolidar uma rede de saúde mais eficiente que promova a redução das desigualdades regionais e assegure melhores condições de vida para mães e crianças no estado.