
Em 2025, o mercado de aluguel imobiliário apresentou retorno positivo, superando a inflação oficial de 4,26%. No entanto, como investimento, especialmente no segmento de alto luxo, o desempenho ficou abaixo de outras alternativas financeiras disponíveis no mercado.
De acordo com estudo da Brain Inteligência Estratégica, a rentabilidade anual dos imóveis novos de alto padrão foi de 3,83%, enquanto os usados alcançaram 5,16%. Ambos os percentuais ficaram abaixo da média do mercado residencial como um todo. No segmento geral, imóveis residenciais novos registraram rentabilidade bruta média de 6,23%, e os usados, 5,85%.
Apesar de a maioria desses índices ter superado a inflação, os retornos ficaram bem distantes de aplicações financeiras tradicionais. Em 2025, o CDI avançou 13,91%, enquanto a poupança rendeu 8,19%, segundo dados da Elos Ayta. O contraste é ainda maior quando comparado ao Ibovespa, que registrou alta de 33,99% no período. No caso específico do alto padrão, a rentabilidade do aluguel sequer conseguiu acompanhar a inflação.
Por que o alto luxo rende menos?
A principal razão para a menor rentabilidade está no alto preço de aquisição desses imóveis. Segundo Fábio Tadeu Araújo, CEO da Brain, o valor elevado por metro quadrado limita o potencial de aluguel, já que o público de alta renda é majoritariamente formado por proprietários. Assim, a demanda por locação nesse nicho é mais restrita.
Além disso, o perfil predominante dos inquilinos desse segmento é composto por profissionais temporários, que buscam imóveis mobiliados — uma oferta ainda limitada no mercado. Esse cenário comprime os rendimentos, mesmo quando os valores nominais dos aluguéis são elevados.
Compactos ganham espaço
Em contraste, imóveis menores, como estúdios e unidades compactas, têm apresentado melhor desempenho proporcional. Como o custo de aquisição é menor e os valores de locação permanecem relativamente altos, a taxa de retorno tende a ser mais atrativa para investidores focados em renda recorrente.
Curto prazo x longo prazo
No curto prazo, especialmente em períodos de juros elevados, ativos financeiros tendem a oferecer rentabilidade superior ao investimento imobiliário, que envolve custos adicionais como vacância, impostos, taxas condominiais e manutenção. Segundo Peixoto Accyoli, CEO da RE/MAX Brasil, o lucro mensal pode ser limitado e levar tempo até compensar o valor total investido.
Por outro lado, no longo prazo, o imóvel continua sendo visto como um instrumento relevante de preservação patrimonial. A valorização do bem e do entorno, aliada ao reajuste contratual pelo índice inflacionário, contribui para a manutenção do poder de compra e para a formação de patrimônio sólido.
Assim, enquanto o alto padrão pode não ser a melhor alternativa para quem busca renda imediata, o setor imobiliário permanece estratégico para investidores com horizonte de longo prazo e foco em proteção contra a inflação.