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Retomada da Fafen-BA em 2026 fortalece soberania regional e mercado de insumos
14 de janeiro de 2026 / 08:58
Foto: Divulgação

O Polo Industrial de Camaçari dá um passo decisivo rumo ao fortalecimento da soberania do agronegócio brasileiro com o início, em janeiro de 2026, do comissionamento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA). A unidade, pertencente à Petrobras, entra em uma fase crucial após a conclusão das manutenções corretivas em dezembro, preparando-se para iniciar a produção de ureia ainda neste mês, etapa considerada fundamental no plano estratégico da estatal de retomar e ampliar a fabricação de fertilizantes nitrogenados no Brasil.

A retomada da Fafen-BA representa um marco para a indústria nacional de fertilizantes, setor historicamente marcado por elevada dependência de importações. A operação da planta baiana será integrada aos terminais marítimos do Porto de Aratu, no município de Candeias, reforçando a eficiência logística e garantindo maior fluidez no escoamento da produção para o mercado interno e para a distribuição costeira.

Com capacidade nominal de produção de 1.300 toneladas de ureia por dia, a Fafen-BA deverá responder por cerca de 5% do consumo nacional desse insumo estratégico. Em conjunto com a unidade de Laranjeiras, em Sergipe, que também retomou suas atividades recentemente, a Petrobras estima atender, já no curto prazo, uma parcela relevante da demanda brasileira, contribuindo para a estabilidade do abastecimento e a redução da exposição do país às oscilações do mercado internacional.

O reinvestimento de R$ 38 milhões na unidade baiana gera impactos diretos e indiretos expressivos na economia regional. A operação da Fafen-BA deve criar cerca de 1.350 empregos diretos e mais de quatro mil empregos indiretos, fortalecendo o mercado de trabalho local, ampliando a renda das famílias e aumentando a liquidez econômica no Nordeste, especialmente na Bahia. Esse efeito multiplicador beneficia cadeias produtivas associadas, como transporte, manutenção industrial, serviços e comércio.

Além da produção de ureia destinada à fabricação de fertilizantes agrícolas e à alimentação animal, a planta terá papel estratégico na produção do Arla 32, insumo essencial para a redução das emissões de veículos a diesel. Esse produto é indispensável para o cumprimento das normas ambientais e está diretamente alinhado às metas de descarbonização e transição energética da Petrobras, reforçando o compromisso da empresa com a sustentabilidade ambiental.

A eficiência operacional da Fafen-BA é potencializada pela infraestrutura dos Terminais Marítimos de Amônia e Ureia do Porto de Aratu, que funcionam como um verdadeiro hub logístico da produção. Essa estrutura permite o abastecimento do mercado interno por via rodoviária e amplia a distribuição costeira ao longo do litoral brasileiro, reduzindo custos logísticos que historicamente encarecem o preço final dos fertilizantes no país.

Segundo William França, diretor de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, o uso do gás natural como principal matéria-prima é um fator-chave para a viabilidade econômica das plantas de fertilizantes. Ele destaca que essa estratégia amplia as alternativas de utilização do gás produzido pela própria Petrobras, agregando valor à cadeia energética nacional e gerando benefícios diretos tanto para a indústria química quanto para o agronegócio brasileiro, que depende fortemente desses insumos.

No médio e longo prazo, a Petrobras projeta elevar a produção nacional de ureia para cerca de 35% da demanda interna, com a implantação de novas unidades no Mato Grosso do Sul. Essa expansão reforça a estratégia de reduzir a dependência externa e criar uma base industrial sólida para atender o setor agrícola, considerado um dos principais motores da economia brasileira.

Embora receba um volume menor de investimentos imediatos, a unidade de Sergipe desempenha um papel complementar essencial na estratégia regional. A planta produz amônia e ureia, assegurando maior segurança no fornecimento para os produtores nordestinos e funcionando como suporte estratégico para a operação da Fafen-BA. A atuação conjunta das unidades da Bahia e de Sergipe cria uma reserva estratégica regional, capaz de amortecer impactos de crises internacionais e flutuações de preços no mercado global de fertilizantes.

A retomada da operação dessas fábricas, que anteriormente estavam arrendadas, simboliza o retorno da Petrobras ao setor de fertilizantes como um eixo estruturante do desenvolvimento econômico e industrial do país. Para o Nordeste, especialmente para Bahia e Sergipe, esse movimento representa a reafirmação da região como polo produtor estratégico, além de uma redução significativa da dependência de importações.

O comissionamento da Fafen-BA é, portanto, o passo final antes do retorno efetivo das primeiras sacas de ureia ao mercado nacional, consolidando um avanço concreto na autonomia brasileira no setor agrícola, fortalecendo o agronegócio, estimulando a economia regional e reposicionando o Brasil de forma mais soberana no cenário global de insumos estratégicos.

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