
O Rio Grande do Norte não possui nenhuma cidade onde 100% das crianças estejam alfabetizadas na idade certa, segundo o Indicador Criança Alfabetizada divulgado pelo Ministério da Educação. O levantamento considera alunos do 2º ano do ensino fundamental e revela um cenário preocupante no estado.
Em todo o país, apenas 122 municípios — entre mais de 5,5 mil — atingiram o índice ideal de alfabetização. No caso do Rio Grande do Norte, o município que mais se aproximou foi Taboleiro Grande, com 97% das crianças alfabetizadas. Outros destaques positivos no estado incluem Rafael Godeiro (95%), São Vicente (90%) e São Francisco do Oeste (84%).
Por outro lado, há municípios com índices bastante baixos, como Paraú, com apenas 9%, e Frutuoso Gomes, com 11%, evidenciando desigualdades significativas dentro do próprio estado.
Entre as maiores cidades, os números também preocupam. A capital Natal registra 40% das crianças alfabetizadas na idade adequada, enquanto Mossoró apresenta um desempenho um pouco melhor, com 57%, mas ainda abaixo da média nacional.
No contexto regional, estados como Paraíba, Piauí, Alagoas, Ceará e Pernambuco conseguiram ao menos um município com 100% de alfabetização. Já Sergipe, Bahia, Maranhão e o próprio Rio Grande do Norte não alcançaram esse resultado.
Outro dado preocupante é que o estado apresentou o pior índice de alfabetização da rede pública no país, com apenas 48% das crianças alfabetizadas, ficando atrás até de Santa Catarina, que registrou 50%. A média nacional foi de 66%, mostrando uma defasagem significativa.
O indicador avalia estudantes ao final do 2º ano, geralmente com 7 anos de idade, por meio de testes que envolvem leitura, interpretação e produção de textos simples. Para ser considerada alfabetizada, a criança precisa atingir pelo menos 743 pontos na escala do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
Apesar do cenário no estado, o Brasil apresentou avanço: em 2025, 66% das crianças estavam alfabetizadas, superando a meta de 64% e melhorando em relação aos 59,2% registrados em 2024. Alguns estados, como Ceará, Goiás e Paraná, já ultrapassaram inclusive a meta de 80% prevista para 2030.
Diante desses dados, o Rio Grande do Norte enfrenta desafios importantes para elevar a qualidade da alfabetização infantil. Investimentos em políticas educacionais, formação de professores e acompanhamento pedagógico serão fundamentais para reverter esse quadro e garantir melhores oportunidades para as novas gerações.